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27/05/2004

Um Aeroporto na barriga

Antes de qualquer coisa, aqui vai um trecho de uma crônica de um divertido livro (Pequenos delitos e outras crônicas - Walcir Carrasco). A crônica se chama "Por água abaixo":

Há alguns meses eu corria na esteira quando aconteceu uma coisa surpreendente. Um amigo observou o marcador do ritmo cardíaco e comentou:

- O seu ritmo está diminuindo, em vez de aumentar!! Devia ser o contrário!

Respondi, já me sentindo um superesportista:

- Sou um alienígena
- Só se guardar a nave na barriga!


Hoje (para mim ainda é hoje pois eu não dormi. Mas foi no dia 26/05) eu fui pela primeira vez na academia. Apesar de ficar no térreo do meu prédio, não é ligada ao condomínio. Para mim isto é uma comodidade essencial. Se eu tivesse que me deslocar muito até a academia, do jeito que eu chego esgotado do trabalho, certamente que me daria uma preguiça monumental para sair de casa. Sendo ali em baixo, é só trocar a roupa, descer e pronto.

Não é a primeira vez na vida que freqüento este tipo de local. Em 1993, já freqüentei uma academia durante uns meses. Mas parei e nunca mais voltei. Não sou o que se pode chamar de um exemplo típico dos freqüentadores destes "antros da saúde". E quanto mais eu ia "arredondando", mais eu ia passando longe das academias.

Mas o médico insistiu muito. E eu acabei indo.

Depois de uma entrada meio constrangida, pois além de dar de cara com um bando de jovens moças bonitas saindo da academia, ainda fiquei o tempo todo pensando "Céus!!! Está todo mundo me olhando, e já sei o que estão pensando...", fui para a sala da avaliação, onde um rapaz super simpático me explicava cada passo da avaliação. Quando ele falou: "Agora vamos medir o percentual de gordura", eu falei: "Para que? Coloca logo aí na ficha: 100%".

Ele fez as medições necessárias e colocou no software que daria o laudo. E veio a resposta: "Composição: Muito inadequada". Eu poderia esperar outra coisa? Depois, de mais alguns constrangimentos, até foto foi tirada, ele me encaminhou para a sala onde eu iria começar a malhação.

Apresentou-me para o professor que me levou até a esteira. E eu nunca havia subido em uma esteira antes. No começo pensei que ia levar um tombão, mas acabei me acostumando.

Mas foram os mais longos trinta minutos dos meus últimos anos.

E no final eu estava todo suado e até meio tonto. E o professor me perguntando:

- E aí? Tudo 100%
- Não. Diria que estou uns 70%

E amanhã ele já falou que tem mais. Desta vez com algumas coisas de musculação que ele falou que vai planejar para mim. Céus.

Sobre o título do post

A crônica do inicio do post, continua depois daquele trecho, com o autor descrevendo como ele nunca consegue cumprir a promessa que ele faz todo inicio de ano de perder peso. E termina assim:

Enquanto isso, minha barriga... Se antes abrigava uma nave alienígena, agora é capaz de guardar um aeroporto inteiro!

Ancorado por Cassio Silva | Link

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