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01/04/2004
Um pedacinho de pão no céu da boca
Terça passada, sabendo que teria que ficar três horas dentro de um avião e já tendo lido todas as revistas que eu tinha comprado no Domingo, quase entrei em pânico quando não estava achando na livraria do aeroporto nenhum livro que me agradasse. Até que bati o olho no Diário de um magro 2, delicioso livro de crônicas do Mario Prata sobre os "mistérios gozosos (e gostosos) de um spa". Considerando o meu estado atual, achei que seria legal comprar o livro.
Valeu a pena. O livro é realmente ótimo e o li todo no vôo. Enquanto o avião taxiava para o desembarque, eu estava terminando a última crônica.
Com relação ao meu estado atual, o que está acontecendo é que estou tendo que perder peso, por uma ordem direta de um médico. Qualquer dia talvez eu fale o motivo. E assim, estou "de dieta". Não é a primeira vez que faço uma (e tomara sabe seja a última), e acho que desde que comecei a ter blog é a primeira vez que estou fazendo uma.
Tudo estava indo bem com a dieta na semana passada, quando eu estava em casa. Mas esta semana a coisa está meio complicado. Em viagem dá um trabalhão manter tudo dentro do planejado, pois não é comum encontrar nos cardápios de hoteis coisas para comer dentro do que se pode. Toda noite a decisão do que comer demora pelo menos uma meia hora. Hoje, não querendo perder muito tempo analisando as poucas opções, pedi um sanduiche que me pareceu mais leve. Só que nele veio, sei lá por que cargas d'agua, um pedacinho de bacon.
E na mesma hora eu lembrei de uma das crônicas do livro do Mario Prata.
Nela, ele conta a história de um deputado do Maranhão que pertubou muito o Mário para conseguir um pãozinho. Até que o Mário deu a ele o tal pão e o cara sumiu por umas oito horas. Preocupado com o deputado, o Mário foi ao quarto dele e o encontrou "deitado numa enorme rede com os olhinhos virados", com metade do pão no colo.
Perguntando o que tinha acontecido recebeu a resposta:
"-Estou comendo o pão -Sim, mas você está comendo o pão há quase oito horas. -E vou levar mais oito para acabar".
É que o deputado pegava uma lasquinha do pão, "colocava no céu da boca, metia a lingua lá e ficava assim - Em extase como pude comprovar - Até dissolver o naco", conta o Mário Prata.
Então eu, ao olhar o pedacinho de bacon do sanduiche devidamente retirado antes de começar a comer, e lembrando do processo empregado pelo deputado, resolvi experimentar.
E não é que funciona com bacon também???
Ancorado por Cassio Silva | Link
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