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22/09/2003

"Olá como vai? Eu vou indo e você, tudo bem?"
Cat.: Aparecendo um pouco

Não, não vou falar da bela música "Sinal fechado" do Paulinho da Viola. É que me lembrei dela hoje, e percebi que já tem um tempo que não apareço pelo blog, então a usei com título do post.

É que ela se encaixa bem no meus últimos dias. Muito. Principalmente o verso: "Tudo bem, eu vou indo, correndo".
Basta ver dois pequenos trechos de uma troca de emails entre eu e o meu chefe:

-----Mensagem original-----
De: Mim
Para: Meu Chefe
Assunto: Projetos 2003
.....
Com mais estes dois, são cinco projetos enormes que estarão sendo tocados nos próximos três meses do ano.
Céus. Dá um arrepio só de pensar.
Cassio


-----Mensagem original-----
De: Meu Chefe
Para: Mim
Assunto: Re: Projetos 2003

Fica tranquilo que não vai doer muito.
Bom fim de semana.
The Boss


Mas nem tudo é tão ruim. Na Sexta-feira passada fui ao Porto do Rio fazer uma visita técnica, e pelo título do blog é fácil perceber como gosto de portos. Sem falar que a visita começou com uma ida ao escritório no centro, e ao entrar na sala da pessoa que nos recebeu a vista era esta:



A foto não faz justiça a vista, pois a câmara digital que levamos era uma câmera antiga, sem muita resolução. Mas enquanto a reunião não começava ficamos na varanda olhando esta beleza.

De resto, mais uma semana de viagem.
E a música continua se encaixando:

"Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe?
"

Ancorado por Cassio Silva | Link

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16/09/2003

"Compre um bom livro e se dê de presente por mim.... vou ficar feliz com isso"
Cat.: E foi o que fiz

Quantas vezes escutamos aquela frase feita, provérbio, sei-lá-o-que, que diz : "Não julgue um livro pela capa"? Várias...

Domingo, saí de casa na chuva, com o objetivo de comprar duas coisas: Uma mala, pois a minha mala de toda semana quebrou a alça, e um livro. Nenhum livro em especial. Um que eu gostasse. Teria que ser legal. A mala não foi difícil comprar, bastava ela ter rodinhas, ser robusta e de boa qualidade para aguentar o tranco de aeroporto quase toda semana.

Mas o livro não foi tão fácil. Na livraria olhei um monte de coisas e nada me agradou. Já desistindo, acabei batendo com os olhos em um.

E julguei o livro pela capa. Poderia dizer que o comprei por causa do título e da ilustração da capa:


Conforte-me com Maçãs, Ruth Reichl, Editora Objetiva.

Afinal é um livro com um título ótimo e uma ilustração de capa muito bonita, mas claro que dei uma folheada nele, e ao ver que se tratava de um livro de memórias da ex-crítica gastronômica do The New York Times e atual editora da revista Gourmet, e ver que ela ia contando a sua autobiografia, sempre com "um pé na cozinha", de uma forma divertida e interessante, acabei comprando o livro.

Hoje comecei a ler, e acho que dá para mostrar o quanto eu o achei interessante por um detalhe: Não dormi um minuto na volta do trabalho hoje, afinal estava lendo "Conforte-me com Maçãs".

Aproveitando, o título do livro veio de uma frase do livro "Cântico dos Cânticos" da Bíblia:

"Sustente-me com passas, Conforte-me com maçãs, porque desfaleço de amor"

Ancorado por Cassio Silva | Link

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11/09/2003

Uma dica vinda da novela
Cat.: Fernando Pessoa

Liguei a TV bem na hora que dois personagens da novela das oito, um garoto e uma garota (não sei o nome de nenhum deles), falavam de Fernando Pessoa. A garota declamou um verso e o garoto falou o nome do poema.

E o gatilho da memória foi disparado, me fazendo lembrar que já tinha lido este poema varios anos atrás. E nestas horas, em que queremos relembrar coisas que ficaram para trás, a Internet ajuda muito. Eita Google...

E é tão interesante como este poema escrito em nem sei quando, continua atual.

Como ele se encaixa bem nestes nossos tempos, onde ser perfeito é muito mais importante que ser honesto; Tempos em que, se uma gordinha resolve se mostrar nua no seu próprio disco, é criticada até não poder mais.

Como ele se encaixa nesta nossa sociedade em que você não vale nada se não tem um curso de pós-mestrado em alguma coisa, nem que seja administração de bordeis. Uma sociedade em que, se você não faz a barba por estar sem vontade, já ficam te olhando atravessado e soltando piadinhas.

Bem, vamos a ele:

Poema em linha reta
Álvaro de Campos

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Ancorado por Cassio Silva | Link

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10/09/2003

Mar
Cat.: Reminiscências

Sou fascinado pelo mar e pelas coisas relacionadas a ele. Não é a toa que este blog tem "Porto" no nome. Mas a admiração que tenho pelo mar e suas coisas não me impede de ter medo dele. Medo e respeito.

A mais antiga lembrança que tenho da minha infância é relacionada ao mar. Ela me veio novamente na cabeça ao ver uma das fotos que vieram no pacote do meu irmão:

Eu e minha mãe. Não sei que praia que era. Mas era no Rio.

Esta foto não foi tirada no dia do incidente da minha lembrança, mas eu não devia ter muito mais do que a idade que eu tinha na foto, quando aconteceu.

Claro que não lembro direito de todos os detalhes, mas sei que uma vez, indo a uma praia com a família, tomei um "caixote" de uma onda. Para qualquer criança, uma marola é uma onda gigantesca. E lembro da agonia que foi aquele monte de água me envolvendo. E lembro também do braço da minha mãe me "resgatando" de dentro da água com uma "gravata" bem dada em torno do meu pescoço.

Passado anos e anos, ao ir na Barra com a minha mulher e meu filho, e ele devia ter talvez a idade que eu tinha na foto, fui pego por uma correnteza, e não conseguia sair dela. Na hora fiquei entre o pânico e a vergonha de ficar gritanto por socorro, mas por sorte um senhor viu eu me debatendo e jogou uma prancha de Bodyboard, tirada das mãos de um garoto, e me puxou.

E depois deste segundo incidente, não me aventuro mais para dentro da água. Pelo menos não muito. Fico só na beira.

Mas apesar destes dois eventos, não consigo ter raiva do mar.
Ele só está lá.

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08/09/2003

História e Gula
Cat.: Coisas que leio e gosto

Você sabe que esta viajando muito quando as livrarias que você mais frequenta são as livrarias de aeroporto. Tem sido nelas que tenho comprado os meus últimos livros. Semana passada, no aeroporto de Porto Alegre antes de pegar um avião com destino a BH, comprei dois livros, que estou lendo ainda.



Um é o livro "Era dos Extremos" do historiador Eric Hobsbawn da editora Companhia das Letras.

Leitura obrigatória para quem gosta de história, e eu gosto bastante. Mas não vou falar muito dele, pois sei que história nunca foi uma matéria muito querida nas escolas.

Eu sempre gostei de história. Ainda mais por ter tido ótimos professores. Lembro particularmente de uma professora, da época da escola técnica, que era cheirosa toda vida. Mas isso é outra história...



O outro livro é o Histórias de Cama & Mesa da editora L&PM.

Escrito pelo José Antônio Pinheiro Machado, que assina o livro como Anonymus Gourmet, é ótimo, muito divertido, com crônicas curtas, ótimas para ler no avião e taxis que fico pegando todo dia. O Anonymus Gourmet, vai falando de diversos assuntos, sempre usando a culinária como pano de fundo para os temas. Não é um livro de receitas, apesar de ter lá algumas, como uma receita de "Perdizes à moda das monjas de Estremadura" que deve ser uma delicia.

Também tem uma receita de batatas fritas do século XIX, do escritor português Ramalho Ortigão, que é tão boa de ler quanto deve ser de comer:

"Saibam todos os meus adversários o modo por que eu procedo quando intento oferecer aos meus amigos esse delicioso manjar das batatas fritas. Não! não morrerás comigo, ó doce, ó bom, ó divino segredo!.

Começo mandando vir de Sintra a manteiga mais fresca, e compro as melhores batatas que encontro. Depois disso, vou para a cozinha e sento-me à banca das operações. Descasco as batatas cruas, aparo-as escrupulosamente e parto-as em fatias de meio dedo de grossura. Em cima de fogo muito brando, quase um rescaldo, coloco a minha frigideira de porcelana, lanço-lhe um bocadinho de manteiga e vou alourando pouco a pouco, branda e sucessivamente, as minhas rodelas. É uma operação para a qual não se quer pressa, mas dedicação, mimo e paciência. Depois de meio fritas as batatas, vou-as retirando e pondo à janela, ao ar.

Terminado esse primeiro serviço, faço atear uma forte fogueira e reponho no fogo a frigideira com um grande naco de manteiga. Quando esta, derretida, principia a saltar em bolhas de fervura, lanço-lhes outra vez as batatas, afogando-as na manteiga em ebulição. Então, rápida e portentosamente, elas incham, cada uma das rodelas toma logo uma forma esférica. É admirável, é quase miraculoso o resultado desse processo. A batata fica fofa, amanteigada, farinhenta, inchada, leve e mole como um sonho."


Já não se escrevem receitas como antigamente...

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07/09/2003

Come On Everybody!!
Cat.: Let's Dance

Bem legal este dançarino!

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06/09/2003

Ser pai é...
Cat.: Familiar

Passar o início da noite de Sábado desmontando uma impressora, pois um dos filhos tem um trabalho para entregar na Segunda-feira.
E descobrir que ela não estava puxando o papel por causa de uma moeda de um real, que eles deixaram cair dentro dela.

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03/09/2003

Na estrada
Cat.: Diário de um Nômade

Pela manhã, uma hora e meia de estrada.
À Noite, quatro horas de carro em mais estradas sinuosas. Detalhe: Sem conseguir dormir, apesar da escuridão da estrada, ou talvez por causa dela.

Resultado: Dor nas pernas, cansaço, sono.

Rio de Janeiro? Só na sexta à noite.

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