| Contato
e-mail
Livro de visitas

| Mas onde ela está?
Está aqui.

| também estou aqui
I suoni di Cássio

| Páginas Especiais
Drummond no Porto

| Arquivos Porto

| Cassio's Blog
Última página
Agosto/2001
Setembro/2001
Outubro/2001
Novembro/2001
Dezembro/2001
Janeiro/2002
Fevereiro/2002
Março/2002
Abril/2002
Maio/2002
Junho/2002

 

31/10/2002

Terminando o mês

Legado
Carlos Drummond de Andrade - Claro Enigma - 1951

Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?

Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho




Eu poderia escolher vários poemas dele para terminar este meu projeto. Mas acho que "Legado" é um dos mais indicados.

Nele Drummond faz uma pergunta chave. Uma pergunta que cada um de nós deveria se fazer um dia.
É também neste poema que Drummond comete um dos seu maiores enganos. O cometeu quando disse que de sua vida só restaria "uma pedra que havia em meio do caminho". Acho que as homenagens que hoje foram feitas em todo o Brasil mostram o erro que ele cometeu.

Quanto a mim, vou parando por aqui a minha "saga" diária. Foram trinta e um dias de leituras. Trinta e um dias de "preocupação" com qual poema colocar, de escrever alguma coisa, mesmo quando não tinha vontade. Sem falar a preocupação de não faltar nenhum dia. Sei que ninguém se importaria com isso, mas eu sim. E consegui não deixar passar dia nenhum.

Gostei muito de ter feito. Pois fui descobrindo algumas coisas que eu não conhecia, relembrando de outras. Não foi muito fácil. Senti vontade de colocar poemas importantes como "A máquina do Mundo", que foi considerado o melhor poema brasileiro do século XX, ou mesmo um poema fantástico como "Especulações em torno da palavra homem". Mas me contive. São poemas complicados, enormes. Fiquei só em alguns mais simples e mais adequados ao formato desta mídia Web. Mas fica aqui a minha recomendação para estes dois que eu falei.

Agora volto a colocar ele mais esporádicamente, só quando me der na telha. Até porque o Fernando Pessoa e seus múltiplos estão reclamando que não apareceram por aqui nenhum dia este mês.

[Esqueci uma histórinha]

Dizem que na intimidade ele era muito bem humorado e brincalhão. Certamente que iria rir muito do que aconteceu no Rio. Ontem foi inaugurada uma estátua dele no calçadão de copacabana. E aconteceu isso que eu li no O Globo:

"Antes de inauguração, a estátua, envolta num plástico da cabeça aos pés, chamou ainda mais atenção no calçadão e pregou uma peça nos policiais do 19 BPM, que passaram via rádio informações sobre "um indivíduo que poderia estar asfixiado". "

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Uma página especial

Resolvi colocar todos os posts que eu fiz este mês sobre o Drummond numa única página.
Assim ficará mais fácil para eu reler os poemas e posts no futuro. E servirá também para quem perdeu algum e quiser ler, sem ter que abrir o arquivo do mês de Outubro.

O endereço da página é http://cassiojps.brinkster.net/Porto/DrummondNoPorto.htm.
Depois eu vou colocar o endereço como um link ali do lado.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Obrigado Cláudio!!!

Drummond
D u mond
Do Mundo


ps:

Ele viu isso em um plástico de carro e me avisou.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Caminhos

Media in Via
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930

Media in via erat lapis
erat lapis media in via
erat lapis
media in via erat lapis.

Non ero unquam immemor illius eventus
pervivi tam míhi in retinis defatigatis.
Non ero unquam immemor quod media in via
erat lapis
erat lapis media in via
media in via erat lapis.




Este é aquele famoso poema dele só que em Latim. Já coloquei algumas vezes poemas dele em Latim também, e hoje não podia faltar um. E tinha que ser a Pedra no meio do Caminho. O poema que ele escreveu nos anos 20, e que segundo alguns analistas foi o que mais causou polêmica.

Para Drummond era um poema "tão somente de repetição, oito vezes seguida, dos substantivos "meio", "caminho"e "pedra", ligados por preposição, artigos e um verbo"

Foi alvo de todo tipo de críticas: "Tem algumas idéias fixas, como a da pedra, que, se é verdade, não chega bem a ser verso", disse um famoso crítico da época chamado Agripino Grieco - alguém lembra deste crítico hoje? Critivavam também o fato dele ter usado "tinha uma pedra", em lugar de "havia uma pedra".

Críticas, críticas, críticas.. :) Sempre elas. Drummond pelo visto não ligava para elas. O Roberto Marinho uma vez, cedeu espaço para que Drummond e Vinícius de Morais respondecem a um crítico do jornal que falava mal dos dois. Vinícius estava muito danado da vida com isso, mas Drummond falou para ele "Não bate nele não, fica quieto, deixa pra lá", pois para Drummond, "Quando o crítico é burro, e não entende, não há o que fazer, nem o que responder".

Para não ficar só no latim:

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

[Atualizando]

Pelo que eu vi em alguns blogs, este é um dos poemas mais lembrados dele hoje.
Eu até pensei em não colocar ele aqui por isso, mas neste meu "Mês Drummond" seria quase um sacrilégio se eu não colocasse ele.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

31 de Outubro de 1902







Agora a pouco eu lia uma edição especial, no site do Estadão, sobre os 100 anos de Drummond.
Num dos artigos, estava escrito: "Se você lê Carlos Drummond de Andrade para encontrar esperança, desista. Afinal, ele é autor do Soneto da Perdida Esperança: 'Perdi o bonde e a esperança./ Volto pálido para casa.'" E usando esta frase do artigo como um apoio, eu digo: se você não gosta do Drummond e já está de saco cheio de ouvir falar dele, e de ver aqui poemas do Drummond, então eu vou ter que falar que hoje não será um bom dia para visitar este blog.

Drummond é um poeta que está mais do que ligado à minha vida, como eu ao longo deste mês de outubro venho mostrando por aqui. Quando decidi colocar um poema dele por dia e fazer um pequeno comentário, além da minha homenagem a ele, quis também mostrar algumas coisas minhas (como se não fosse isso que faço o tempo todo por aqui), e de como os poemas dele estavam ligados a estas coisas.

Mas agora que chegou o dia, nem tenho muito mais o que falar, afinal não sou ensaista, não sou crítico literário, não sou acadêmico. Sou um cara comum, que tem um blog, e que gosta do Drummond. E que um dia, no final de setembro de 2002, resolveu colocar no seu blog uma homenagem para ele.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

30/10/2002

Um nome

José
Carlos Drummond de Andrade - José - 1942

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?




Quando começei o meu "projeto Drummond" aqui no blog, eu não fiz nenhum planejamento prévio escolhendo este ou aquele poema. A não ser dois deles.

Um eu sabia que não colocaria, apesar de ser um dos mais bonitos e sentidos dele. Não o colocaria por uma razão pessoal muito forte e que não vem ao caso explicar.

O único que eu sabia que iria colocar, era este de hoje. "José"
Sabia que iria colocá-lo por alguns motivos. O fato de ser um dos mais importantes poemas dele; O fato de ser um poema instigante; que faz pensar; que machuca um pouco. Mas principalmente por ter o nome "José".

José era o nome do meu pai. E eu, que me chamo Cássio, também sou José.
Cássio José. Muito prazer.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Ele falando:

"Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. "

CDA

[vale dizer]

Este não é o Poema de hoje, até porque não é um poema, certo?? :)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Algumas coisas se comemoram amanhã. Uma delas muito estranha.

Claro que amanhã para mim vai ser dia de comemoração, mas depois eu falo dela.
Agora queria falar desta coisa estranha de comemorar o Halloween no Brasil. Que coisa estranha!!! É uma festa que não faz parte de nossa tradição, e de uns tempos para cá, quando chega perto do dia 31/10 começamos a ver cartazes e anuncios de festas, fantasias sendo vendidas, um bafafá danado em torno disso.

Bem, como um dos meu lemas é "cada um na sua, mas com alguma coisa em comum", não vou ficar falando muito. Quer comemorar comemore, mas que não se deixe passar em branco também as festas nacionais.

Enquanto isso, vou escutando o único Halloween que eu gosto. É a música do DMB que tem este nome e que eu não gostava muito até escutar uma versão do show de 02/02/1993, e então revi o meu conceito sobre ela.

"Hey little dreamer's eyes open and staring up at me
Oh, little lovely eyes, oh, radiant
Wait until I come and I will steal you
Wait until I come I'll take your soul
Wait until I come and I will steal you
Wait until I come and I will go"


Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Qualquer dia eu te atendo, senhor pesquisador.

Quem sabe um dia eu resolva te atender, e coloco por aqui uma foto minha?
Mas me diga o que você quer fazer com isso?? Sacanear algum amigo seu? Saiba que gordo só não se importa com sacanagem quando parte dele mesmo. De resto, tente não ofender outra pessoa só porque ela pesa mais que você, ok?

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Provando que a Internet é mais rápida que o som

CassioJ (1:51 AM) :
eita.. calma um minutinho.
CassioJ (1:51 AM) :
UAU!!! que trovao!!!!
Alê. (1:52 AM) :
:oO
na hora que eu li vão de (que trovão)
deu um aqui!!!!!!!!!!!
CassioJ (1:53 AM) :
foi o mesmo meu...
afinal moramos no Rio lembra??
e não tão longe assim..
Alê. (1:54 AM) :
ih eh. foi mesmo... :))
eu já ia começar dizendo... que mané trovã.. qdo de repente kabruuuummmmmmm

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Assim eu fico metidão....

Um conto bobo meu, sendo publicado em outro blog!!!

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

29/10/2002

Eros

A Lingua Lambe.
Carlos Drummond de Andrade - O Amor natural - 1992

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e quando mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gemidos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.




Este poema é do livro "Amor Natural", editado após a morte de Drummond. É um livro todo de poemas eróticos e todos ótimos. Comprei um exemplar sábado passado. Me deu vontade de colocar todos aqui. Mas me contive.

No ótimo prefácio o Affonso Romano de Sant'Anna fala:

"Àqueles que se habituaram a ler suas crônicas ironicamente suaves, a tê-lo como o velho poeta meio tímido e simpático, este livro pode incomodar. Soará meio agressive encontrar nos seus versos palavras como "clitóris", "vagina", "membro", "bunda", "pênis", "vulva", "nádegas" e "ânus". Mais do que essas palavras, pode incomodar ainda a descrição de cenas eróticas numa linguagem desnuda. Para esses o livro poderá parecer pornográfico. Começarão a vislumbrar atrás do pacato e sóbrio poeta um velho sátiro.

Contudo, para aqueles acostumados a uma literatura mais direta e que cresceram numa sociedade em que o uso do "palavrão" (conceito antigo?) virou banalidade, soará como real a suspeita do próprio poeta de que não deveria publicar estes poemas porque podem parecer coisas de jardim de infância comparados com o que se faz e se ouve por aí"


E agora eu falo:

Ao longo do ultimo ano venho conversando com pessoas no icq, por emails, nos comentários, e até em contatos mais pessoais como jantares. Ao longo deste tempo comecei a pescar aqui e ali a imagem que estava sendo montada sobre mim. A de um cara legal, calmo, amigão, educado, sensível, fofo, etc, etc. Se acho que algumas destas imagens são exageradas, também não acho que eu seja exatamente o contrário. Quem me conhece, e já teve oportunidade de estar comigo, sabe bem como eu sou. E uma coisa que me orgulho é não ser falso.

Mas foi por força desta imagem, que eu começei a me inibir em escrever algumas coisas. E erotismo era uma das inibições. Claro que não vou de uma hora para outra passar a escrever palavrões, pornografia, e agir como um adolescente cheio de hormônios, pois sou acima de tudo um senhor discreto, mas quero deixar claro que sou só um cara normal.



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Só um ponto:

Este espaço é um canto meu, aberto a quem quiser visitar e ler alguma coisa. A Pandora escreve por aqui também de vez em quando, mas fundamentalmente é um espaço meu. É o lugar onde eu chego no final da noite para aliviar um pouco as tensões. Um lugar que levo comigo quando viajo, para me distrair um pouco nos hoteis. Um lugar onde venho deixar meus recados para as pessoas que eu gosto.

E sendo um espaço meu, eu acho que posso escrever o que eu quiser, na hora que eu quiser e sobre o assunto que eu quiser.

[Em tempo:]

Quando eu decidi criar o Suoni vários meses atrás, foi movido por umas críticas que recebi de que eu falava muito de música, e pior: de música que ninguém conhecia ou gostava. E eu fui escrever sobre as músicas em outro canto. Acabei gostando de ter aquele espaço mais reservado e de menor visibilidade. Pouquissimas pessoas vão lá e é um bom lugar para eu me esconder as vezes.

Mas não farei isso novamente. Quase todos os outros assuntos vão ficar aqui No Porto.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Merda.

Hoje não estou muito bom. Uma dor quase insuportável no calcanhar talvez tenha sido o estopim.
E ao longo do dia foram se juntando:

Comentários idiotas no trabalho;
Brincadeira idiotas no trabalho;
Aborrecimentos no trabalho;
Leituras de coisas chatas que me deixaram muito irritado.
Um quase conto que eu escrevi aqui, movido por algo que li lá e não gostei, mas apaguei por achar que não vale a pena por lenha na fogueira.
Depois mais coisas lidas e que não gostei muito.

Como exemplo do estado em que cheguei, quando fui temperar com vinagre a minha salada no jantar, me deu vontade de beber um copo dele.

Mas acho que tudo é fruto da minha dor no calcanhar.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Alô, Yaccs.. Cade você???

Como o Yaccs está meio de TPM hoje, vou usar o meu poder de "editor" e colocar em forma de post, uma resposta a um comentário do Dennis no post da minha conversa com a Alê intitulado "Aviso: Agora é um post".

Olá Dennis, acho que vou concordar e discordar de você.

É sempre perigoso eu colocar as minhas conversas no icq, pois elas são retiradas de um contexto, e quando colocadas soltas podem ser mal interpretadas. Somente os participantes da conversa (nesta em particular, Eu e a Alê) vamos saber exatamente do que falávamos.

E como participante da conversam, sei bem que tanto eu quanto a Alê estavamos sendo sim generalistas. E propositalmente eu diria. Eu preocupado com os "eminências pardas" que dominam este ser "meio-fresco-atacadinho-cheio-de-vontades-como-uma-criança-mimada-e-dado-a-gritinhos-histéricos" chamado mercado, e que com as suas manipulações e boatos só querem sugar mais e mais, e a Alê, com o arroubo que é peculiar aos jovens (ela que diga a idade dela, se quiser), estava preocupada com aqueles que adoram ver o circo pegar fogo para ficar "assando marshmallow" nele, como você sabe bem que existem. Mas generalizar é um mal da sociedade moderna, e atinge a todos igualmente.

Com relação as diversas correntes do PT, eu, que já fui militante do PT (sabia disso??), conheco-as bem também. Me preocupei com elas no começo e por causa delas me afastei. Mas acho que hoje não é complicado domar as mais radicais. Elas não encontram mais respaldo tão facilmente hoje em dia. Não estou nem um pouco preocupado com a atuação delas no governo Lula.

Com relação a questão "seria o PT e os petistas acabarem com essa mania de julgar que toda voz contrária é a Voz do Mal.", acho que este mal não é só do PT. Não saiu recentemente nos jornais, que já estão falando nos EUA que a eleição do Lula é o inicio de um "Eixo do Mal" (sic)?? Particularmente, acho que o Dialogo vai ser a tônica do novo governo sim. Quando eu leio a biografia do Lula, não consigo imaginar aquele cara que tomava, e toma, cachaça num boteco qualquer, não ser aberto ao diálogo. Estar fechado ao diálogo é bem mais típico dos "doutores" de um modo geral.

Já com relação a alternância dos partidos no poder ser a sustentação da Democracia, só acho isso válido quando o partido que detem o poder atualmente não está fazendo o melhor. Quando quem esta na liderança esta indo bem, porque mudar??? Vale o que o povo nas urnas decidir!!! Não pode é ser usada a força para se manter lá. E acho que a nossa sociedade está madura o suficiente para não deixar isso acontecer.

Realmente o Lula não é o Messias encarnado, Pois o Brasil não precisa disso, precisa sim, de uma pessoa honesta e de com vontade de fazer!!! não se pode negar que isso ele é e tem! Bandeiras, músicas e estrelas são só os acessórios que se tem para expressar um desejo. Icones de uma vontade de mudar. É claro que não se gorverna com elas, e sim com vontade política, que tantas vezes vimos sumir nos últimos governantes. Por mais bem preparados que eles sejam.

Também não creio em Homens-mitos. Mas não consigo deixar de ter um sentimento de boa vontade com relação ao que vem por aí. Deve ser a tal esperança de que as coisas melhorem um pouco.

Quanto a Marx, Mao, Trotski, Não falo nada, pois nunca os li na verdade (tentei, mas não tive saco!!!!), mas não acredito em liberdade total do estado na economia, e na livre iniciativa. Se deixarmos só pela livre iniciativa, saneamento básico nunca sera implementado nas zonas pobres, pois pobre não dá muito lucro. Mas economia foge a minha alçada. Sei falar bem de poucas coisas, e economia não é uma delas. Serve DMB?? Isso eu conheço bem :))) Não?? Que tal então SQL e Banco de dados? Isso eu domino :))

Grande abraço e vamos seguindo divergindo e concordando.

[Aviso em geral]

Com relação aos outros comentários que vocês me deixaram, na verdade nem cheguei a ler.
O Yaccs caiu na hora que eu lia o do Dennis e assim, não posso respondê-los pois agora vou dormir.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

28/10/2002

Mesmo com riscos, é este que vai hoje

A Noite dissolve os homens
Carlos Drummond de Andrade - Sentimento do Mundo - 1940

A Noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas,
nas ruas ainde se combate,
nos campos desfalecidos,
a noite espalhou o medo
e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
sem esperança... Os suspiros
acusam a presença negra
que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
na noite. A noite é mortal,
completa sem reticências,
a noite dissolve os homens,
diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias,
apagou os almirantes
cintilantes! nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo...
O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.

Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes, vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo facista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram
mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
uma inocência, um perdão simples e macio...
Havemos de amanhecer. O mundo
se tinge com as tintas de antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.




Não sigo nenhum plano para colocar o Drummond do dia. Simplesmente pego um livro entre os que eu tenho, e saio folheando ele, percorrendo os poemas, deixando que a intuição me diga "É este". E hoje não foi diferente, mesmo sabendo que corro risco colocando este poema aqui.

Risco? Sim!

Risco de ninguém ler, por ser meio grande ;
De não me fazer entender por meio dele;
De eventualmente acharem chato (como alguns já estão achando, este negócio de Drummond todo dia).

Mas mesmo assim, eu vi coisas neste poema que me chamaram a atenção, principalmente depois de ter ficado pensado um pouco hoje a noite, sobre um passado já não tão recente assim. Eu pelo menos gostei muito de tê-lo lido.

E ele foi escrito por volta de 1940.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Para o seu filho

Ancorado por Dorothea Marx | Link

(0) comments

 

Já se passaram 24 anos.

Só hoje, quando cheguei em casa do trabalho e peguei a "Isto é" para ler, é que "caiu uma ficha", como se diz.

Edição de 19/09/1978No editorial, eles colocaram todas as capas onde o personagem principal era o Lula, e uma delas me chamou mais a atenção. Foi a capa da edição de 19/09/1978.
Quando eu olhei aquela capa, me pareceu já tê-la visto antes. E já tinha mesmo. Em 1978 eu comecei a estudar na Escola Técnica Federal (atual CEFET-RJ) e me lembrei de estar com aquela revista nas mãos, esperando o portão abrir para entrar de manhã cedo.

Ainda estavamos em plena ditadura, mas as greves do ABC já tinham começado e eu, começando a ser um estudante secundarista, queria me informar das coisas. Eu Juntava dinheiro que sobrava das passagens e dos lanches e comprava, meio que escondido, as revistas que falavam do ABC, Greves e Sindicatos. Escondido primeiro pelo medo que ainda reinava, e segundo por meu receio do meu pai descobrir pois papai, mineiro como ele só, sempre era muito cauteloso com determinados assuntos. E era conservador demais. E ele ia reclamar muito se me visse lendo aquelas coisas.

Ao longo destes 24 anos eu também fui ficando, não diria mais conservador mas, mais moderado. Passei a votar mais nas pessoas que nos partidos. E era só coincidencia que sempre os meus deputados eram do PT ou PV. Para senador sempre votei nos mesmos também. E para presidente, Lula nunca foi a minha primeira opção, a não ser nesta eleição, depois de muito pensar, conversar e observar as coisas acontecendo.

E assim foram estes 24 anos. Caramba!, alguns das pessoas que conheci aqui pelo blog, e aprendi a gostar muito, nem eram nascidas!

Bem não era só disso que eu queria falar.

Não vi ainda muitas comemorações dos amigos pelos blogs, pois fui a pouquíssimos hoje, e mesmo assim só na hora do almoço. Mas li todos os jornais; vi a entrevista do Lula no Jornal Nacional; já li a Isto é. A Época e Veja ficaram para amanhã.

Não vi nada do horário político. Em momento algum. Passava o tempo todo escutando música. Uma coisa é você ver um político em campanha, as promessas parecem todas iguais, as falas as mesmas. Mas eu quis ver o Lula falando já como presidente eleito. E digo uma coisa: Mesmo moderado com sou, não consegui deixar de me emocionar com a múltidão vibrando ontem a noite, e hoje com o próprio Lula falando.

Sei que corro o risco de passar por aquele que se junta ao time que ganhou para festejar, beber e comer de graça. Mas o meu objetivo neste post, foi deixar registrada a minha emoção. Mas mesmo emocionado vou continuar discreto, reservado e observador, pois eu sou assim.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

27/10/2002

Mineiramente falando

Mão Dadas
Carlos Drummond de Andrade - Sentimento do Mundo - 1940

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.




Acho que ele estaria contente. Mas manteria aquele ar mineiro de desconfiança e discrição.
Mas certamente teria esperanças.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Rápida conversa familiar

Cenário: Sala, Tv ligada no pronunciamento do Lula já como presidente eleito.

Na Tv: E agora fala o presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva
Filho Mais velho (ele não larga a bandeira do PT): EHHHH!!! Chegamos ao poder!!
Eu: Quem?? Os Trabalhadores??
Filho Mais Velho: NÃO!!! OS SILVA!!!

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Aviso: Agora é um post

O BLOGGER ESTÁ COM PROBLEMAS!!!! Problemas no banco de dados..
Logo hoje que pelo menos 98,56% dos blogueiros brasileiros do bLogger devem estar doidos para comemorar a vitória.

Eu não queria deixar passar uma coisa e então dei um jeitinho de entrar direto na página.

CassioJ (7:52 PM) :
Ahhh pode até fazer besteira, mas eu que já fui petista de carteirinha, não tenho como não ficar emocionado né?
Alê. (7:53 PM) :
é, o pessoal do contra tá doido pra ele se ferrar.
Alê. (7:54 PM) :
só pra dizerem depois: eu ñ disse?!
CassioJ (7:54 PM) :
é mesmo.. Eu tenho um pé atras. mas o sangue petista ta falando mais alto agora :))
Alê. (7:54 PM) :
ñ seria melhor se todos quisessem que desse certo independente de quem ganhasse?!
eu também tenho medo do que pode acontecer no futuro, mas enfim...
... com Fernando Henrique que ñ continuava nem pelo kct!
CassioJ (7:55 PM) :
seria sim.. bem melhor.
Alê. (7:55 PM) :
mas a galera da arucubaca ñ vai deixar barato.
vão fazer mil mandingas pra dar errado :)))
CassioJ (7:58 PM) :
meu filho tava querendo ir na cinelandia.. deve estar a maior festa lá.
Alê. (8:05 PM) :
mesmo que ele seja um presidente ruim, vou ter sempre orgulho de sempre ter votado nele. é um trabalhador que chegou a presidêcia de um país que sempre favoreceu coronéis e gente da alta.
isso pra mim é uma fato histórico e eu fiz parte disso :))

[Explicando o título do post]

Eu tinha colocado este post escrito direto na página, editando a página que estava no meu host. O Título era: "Aviso isso não é um post". Como o blogger voltou a funcionar, transformei em post.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Votei

Já votei. Também a essa hora acho que todo mundo já deve ter feito isso.

Eu voto numa escola. E ela fica a uma distancia chata, pois é perto demais para ir de carro e longe demais para ir a pé. E encaro uma ladeira para chegar lá.
No topo da ladeira tem um bar, e parei para tomar uma agua. Estava cheio de pessoas tomando cerveja a menos de 200 metros da escola. Não existia uma coisa chamada lei seca, proibindo bebida alcoolica neste período?

Santa ingenuidade batman. Se hoje, até com o exército nas ruas, já teve tiroteio de traficantes na Grajaú-Jacarépagua, não será por causa de uns pinguços com cervejas num boteco no alto de uma ladeira que vão se mobilizar. Eles não estavam incomodando ninguém.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Uma música do Milton Nascimento

Não sei porque hoje (a rigor, ontem), durante o dia todo, eu fiquei com uns versos de uma música do Milton Nascimento na cabeça.
Não lembro o nome da música e nem estou encontrando nada sobre ela ainda. Mas os versos que ficaram na minha cabeça o dia todo foram mais ou menos assim:

"Estrela de cinco pontas
Cinco estrelas no cruzeiro
Milhões de estrelas no céu..."


E eu não lembro o resto.

Mas porque diabos esta música ficou o dia inteiro na minha cabeça??

[Encontrei!]

Não a encontrei antes, pois eu estava procurando errado. Eu procurei por "Milhões de estrelas no céu" e o certo é "Trilhões"

As Várias Pontas de Uma Estrela
Milton Nascimento/Caetano Veloso

Estrela de cinco pontas
Cinco estrelas no cruzeiro
Trilhões de estrelas no céu
Tres pontas. mil corações

E o menino brasileiro
Com os olhos duas contas
Atravessa o imenso véu
De brilhos e escuridões

Que Deus segue esse menino
Que Deuses o seguirão
Meu verso de sete patas
Notas desta melodia
Que me ensina essa lição
Quem me explica esse destino
Que grito dentro das matas
Agora responderia

Não sei mas ando com ele
As vezes voamos juntos
Pedras super preciosas
De aves nas alturas tontas

Tocamos vários assuntos
As vezes roço-lhe a pele
Que somos estrelas rosas
Tres, quatro, cinco mil pontas
Pontas, pontas, pontas ...

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

26/10/2002

Edição extraordinária dedicada ao Cláudio

Inimigo
Carlos Drummond de Andrade - Boitempo - 1968

Vou brigar contigo.
Vou apanhar e vou sangrar
mas vou brigar.
Tenho que lutar contigo, tenho
de gritar bem alto nomes feios
que sobem à garganta.
Eles crescerão no ar da rua,
subirão às sacadas dos sobrados
e todos ouvirão.
Fui eu quem disse. O magricela. O triste.
Tenho de brigar,
rolar no chão contigo, intimamente
abraçados na raiva. Tenho de
a pontapé ferir o teu escroto.
Pouco importa me batas pelo dobro.
Pouco importa me arrases. Meu irmão
não chamo a socorrer-me. Quero ser
o perdedor que ganha de seu medo.




Este edição extraordinária foi necessária, pois eu vi o comentário que o sr. Cláudio Silva deixou aí para baixo, no post misteriosamente em branco, falando que o Blogger já estava de saco cheio do Drummond. Não era bem o Blogger não.

O Cláudio é quem deve estar de saco cheio, pois como ele não gosta de ler e nunca tem tempo para isso, este blog estaria cheio de figuras, de preferência de mulher pelada, e links de sacanagem.

Mas eu avisei desde o início que eu ia colocar um post por dia com um poema do Drummond. De que reclamas então Sr. Cláudio Silva??

Assim, Sr. Cláudio Silva, por sua causa hoje eu coloco dois poemas e está aí o meu recado: Não apareça na minha frente.
(mas não leve isto em conta na hora de me deixar gravar os cd's ok?)

[só situando a figura]

Eventuais leitores novos não se preocupem com a violência explícita, pois eu, como irmão mais velho da figura citada, tenho o direito de dar-lhe umas porradas de vez em quando.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Uma das minhas maiores dificuldades

Acordar, Viver
Carlos Drummond de Andrade - Farewell - 1996

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.




Acordar. Esta é uma das minhas maiores dificuldades.

Quase sempre sou acordado pela minha mulher, pois se deixar eu vou até as 11:00, 12:00, tranquilamente. E acordo quase sempre de mau humor. De preferência não falem comigo antes das 10:00. E quando estou em algum hotel? Terrivel. Coloco celular para despertar; radio-relógio, se tiver um no quarto; marco o despertar na recepção. Tudo isso pois estando sozinho, sei que vai ser impossível acordar sem me chamarem.

Mas dormir é fácil. Hoje de madrugada, conversando com a Alê no icq, simplesmente PINBA! A deixei falando sozinha :(

Amanhã é domingo. Dia de eleição. Meu pessoal está super ansioso para votar. Meu filho já está com uma duzentas estrelas do PT, três colares com "Foice e Martelo", fora as bandeirinhas, bandanas, faixas de cabelo, bandeirões, etc, etc. E por estarem ansiosos, querem ir votar logo cedo. Tentei convencê-los a me esperarem mas a minha mulher falou: "Não quero votar quando você acordar. Quero votar antes do almoço.".

Assim, vou votar sozinho.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Que houve??

Eu juro que não tenho nada com o post aí de baixo.

Na noite passada eu cortei um dobrado para colocar o Drummond no ar. O blogger estava fora do ar e não publicava o post. Depois de muito insistir consegui colocar o post de uma outra forma, editando diretamente a página no meu host. Bem mais tarde, lá pelas 03:00hs de sábado o Blogger aceitou colocar o post.
Talvez na tentativa eu tenha mandado um post sem perceber, sei lá. Mas não foi intencional. Tanto é que a hora que o post esta registrado (que não aparece ali) eu se eu não estava dormindo, estava quase. Quando eu quero deixar um post em branco, eu sempre aviso: "Post propositalmente deixado em branco", já fiz isso duas vezes.

Como foram deixados comentários interessantes relativo ao inusitado do post, mesmo que não proposital, eu vou deixar ele assim.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

25/10/2002

Mais Canções

Canção Amiga
Carlos Drummond de Andrade - Novos Poemas - 1946-1947

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.




Acho que este foi o primeiro poema do Drummond que eu conheci "conscientemente".

Houve um tempo que eu não ligava para poesia. Pelo contrário, achava chato demais. Talvez por ser obrigado a ler aqueles poemas chatissimos, para uma criança, no primário. Talvez nesta fase eu tenha lido alguma coisa do Drummond, mas entrou pelo olho e saiu pelo ouvido e não se fixou nada.

Com música foi diferente. Sempre gostei. Está certo que tinha um gosto muito estranho quando menino, mas outro dia qualquer eu falo disso.

Um dia eu escutei um LP (sim!!! Era LP ainda!! Não sabe o que é LP??!!! Um dia também explico isso....). Era do Milton Nascimento e tinha nele uma música que eu num primeiro instante não gostei. Mas aos poucos eu fui prestando atenção nela, e vi como era linda, tanto musicalmente, quanto na letra. E era Canção Amiga. E a letra era do Carlos Drummond de Andrade.

Então fui procurar outras coisas dele e acabei lendo "Poema de sete Faces". Cai de joelhos e não levantei mais.


[Não quis tirar isso]

Espaço reservado para o Drummond de hoje.
Agora estou assistindo ao debate.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Oops!

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Atrasos, iogurtes e video-tapes

Como eu previa o avião atrasou, mas até que o atraso foi providencial para mim. Eu cheguei no aeroporto as 18:40 e perguntei se tinha algum vôo saindo antes do meu. O rapaz que me atendia disse que sim e me transferiu para o Vôo que sairia as 19:30. Eu só percebi o detalhe depois: Este vôo que ele me colocou, era o que sairia às 18:30 e estava atrasado em mais de uma hora, e só por causa deste atraso que eu consegui pegar ele. Portanto a tradição de vôos atrasados em Belo Horizonte se manteve, só que hoje eu tirei partido dela.

Como cheguei em casa mais cedo, aproveitei para tirar um cochilo. Na noite passada fui dormir as 03:30 e as 04:10 ligaram para o meu celular, e eu estava um bagaço agora a noite. Só que acordei e percebi que não iria voltar a dormir tão cedo, então vim escutar música. E aproveitei para responder aos comentários.

Enquanto respondia aos comentários deixados (Acho que respondi a todos!!!), eu comi um iogurte quase congelado. Eu pego um potinho de iogurte, de preferencia o Corpus da Nestlé sabor papaia com cassis, e coloco no congelador. Espero ele estar quase congelado e como. Como se fosse sorvete. Hoje não tinha Iogurte Corpus. Minha mulher tinha colocado dois Molicos, um de abacaxi e um outro muito estranho.. Estava escrito no potinho: "Molico Beauty com aloa vera".

Até onde eu sei, Aloa vera é um treco que se coloca em xampu. Não sei bem o motivo, mas estou achando melhor não comer este "aloa vera" não...

[E os video-tapes?]

Não tem nenhum não. Foi só para compor o título deste post bobo.
Bom dia.

[Atualizando novamente]

Não é que publicaram outro email meu?

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

24/10/2002

Dos comentários e suas respostas

Alguns podem pensar:

"Que cara esquisito... Reclama de comentário; Tira comentário; Recoloca comentário; E principalmente: Não responde aos comentários que deixam..."

é.... Não responde a nenhum dos que foi deixado, infelizmente. Li todos. mas resposta que é bom nada :(

Foi o que eu falei para a "Rita" quando eu tirei os comentários. Um dos motivos era não ter o tempo necessário para responder a eles. E foi o que aconteceu hoje....
Bem.. eu vou adotar então a política do deixa estar... vocês comentam o que quiserem e eu respondo aos que eu puder, quando der. Ok?

Agora tenho que dormir. Afinal daqui a três horas e meia eu tenho que estar saindo para o aeroporto...

E "Rita", o codnome pegou. Mesmo que voce não goste dele, vou usar. Também, quem mandou não me ajudar a pensar em um?

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Uai sô???!!! Outro logo em carreirinha??

Itabira - Noventa por cento de ferro nas calçadas, oitenta por cento de ferro nas almas.Confidência do Itabirano
Carlos Drummond de Andrade

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, qe tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!




Eu explico.

É que hoje, depois de passar uma temporada ancorado, estou indo para Minas Gerais. Uma viagem rápida, daquelas de ir e voltar no mesmo dia. E Ir para Minas tem um problema: na volta é praticamente certo sair atrasado do aeroporto da Pampulha. O Vôo está marcado para 20:10, mas eu sei bem que antes das 21:00, 21:30 ou até mesmo 22:00hs, ele não sai. Foi assim das outras vezes que fui para Minas. Foi assim no dia 18 de Janeiro de 2002, quando era para eu ter saido no mesmo horário de hoje e só fui sair de lá as 23:15.

Eu sou teimoso. Quando encasqueto com uma idéia é fogo. Eu falei que ia colocar um poema do Drummond a cada dia e não quero correr o risco de não fazer isso. E para não correr o risco de ficar sem o Drummond de hoje, por causa de um atraso do vôo da volta, eu resolvi colocar ele agora logo em seguida ao outro.

Ainda mais sabendo que vou passar pertinho da cidade onde Drummond nasceu. No dia 17/01/2002 eu escrevi um post falando disso e vou misturar partes dele por aqui.

Eu estou indo hoje até Barão de Cocais. Já sei que vou dar uma parada num restaurante que eu conheço que fica na estrada, para comer uma comidinha mineira. Nesta estrada, BR 262, pouco antes do restaurante, tem uma plaquinha indicativa. Nela uma palavra só : "Itabira". Foi lá que ele nasceu. Quando eu descobri esta entrada, no dia 18 de Janeiro, eu estava com outras duas pessoas no carro, mas me deu uma vontade de pedir para o motorista dar uma entrada naquela estrada que ia para Itabira. Só para conhecer onde ele nasceu. Mas eu não pude. E nem vou poder hoje de novo. Não vou ter tempo para isso.

A cidade tem espalhada por ela, uma série de placas (43 ao todo), cada uma com uma poesia de Drummond, sempre relativa a caminhos vivenciados por ele, formando um trajeto chamado Os Caminhos Drummondianos. Deve ser uma beleza percorrer estes caminhos.

Fica para uma outra vez.

Em tempo

Barão de Cocais é tão pequeno, que no mapa ai de cima nem aparece. Mas tem a cidade vizinha, Santa Barbara, logo acima de Catas Altas.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

23/10/2002

E já que falei de nostalgia

Memória
Carlos Drummond de Andrade - Claro Enigma - 1951

Amar o perdido
Deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.





Recordar coisas gostosas é muito bom.
E, como eu sempre digo, o tempo é um ótimo cosmético. Mesmo algumas coisas chatas e ruins, quando lembradas muito tempo depois, acabam não sendo vistas como tão ruins. Eu sei que gosto muito de recordar as coisas do passado. Mesmo com a minha memória não ajudando muito.

Pelo menos daqui a alguns anos eu vou ter estas páginas para me ajudar a lembrar das coisas que estão acontecendo hoje em dia. Vou poder daqui a dez anos, por exemplo, lembrar que hoje eu fui num dentista e aconteceu algo inusitado, e que depois fui passear com a minha mulher e meu filho.

Enfim.. Um dia normal, mas com coisas para lembrar.

E como não estou deixando escrito aqui as coisas que me aborreceram hoje, daqui a dez anos (ou dez dias), elas não vão mais parecer que existiram, pois eu não vou lembrar delas.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Momento nostalgia

Definitivamente sou um ser nostálgico.

Hoje,no começo da tarde, peguei meu filho mais novo no colégio e fui com ele e minha mulher numa exposição de tecnologia que está acontecendo no Cefet-Rj, onde o meu mais velho está estudando.

Já falei aqui antes que estudei lá também, e que foi lá que eu comecei a namorar a minha mulher. Terminei o meu curso técnico de eletrotécnica há vinte e um anos; voltei para estudar telecomunicações alguns anos depois, também junto com a minha mulher, mas paramos o curso pelo meio por causa do nascimento do meu filho mais velho. Depois nunca mais entrei lá.

Portanto, já vão quase dezessete anos que eu não entrava no Cefet. E sai lembrando das coisas, vendo o que mudou, o que ficou igual. Lembrando da cantina que não está mais lá, procurando os bancos onde ficavamos conversando quando não tinha alguma aula, ou mesmo quando matávamos alguma. Os laboratórios; ginásio; Quadras e pista de atletismo onde eu ficava enrolando nas aulas de educação física e até a piscina onde quase morri afogado num dia de prova.

Muitas coisas mudaram mesmo. Acho até que ocorreram mais mudanças que "permanências", mas uma coisa ainda é igualzinho ao que era na minha época. O Jardim central cheio de meninos e meninas, e um ou dois violões tocando as mesmas músicas do Beto Guedes, Lô Borjes e Milton Nascimento. Mas ainda bem que não tocaram "Andança".

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Dormindo num lugar improvável

Hoje, como aconteceu na quarta-feira da semana passada e vai acontecer na quarta-feira da semana que vem, eu não trabalhei. Fui no consultório da minha dentista fazer uma das coisas que mais assusta as pessoas: Tratamento de canal.

Não sei porque o medo que as pessoas tem destas duas palavras. Está certo que não fiz muitos, e dei sorte de pegar um excelente dentista. A minha dentista já é muito boa, mas não faz este tipo de atendimento, e para os seus pacientes ela chama um outro profissional.

Hoje fiz a segunda parte. Não gosto da anestesia. É muito dolorosa e depois que passa incomoda muito, como está incomodando agora. Mas o resto, depois que a anestesia pega, não me incomoda em nada. Eu até dormi. Sim, dormi na cadeira do dentista com ele fazendo um tratamento de canal. Afinal foram duas horas sentado, olhando para o teto e para a parede, sem nada o que fazer a não ser deixar a boca aberta. Acabei dormindo.

No finalzinho ele me perguntou se eu sempre durmo na cadeira, e que se eu falasse que não, ele se sentiria muito lisonjiado. Nem quis estragar o orgulho dele falando que eu já dormi em pé, encostado em uma pilha de caixas de leite, num supermercado.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

1 em 10/100/1000

"1 entre 100 (ou algo assim) será a solidariedade necessária. Ou a bronca que nos falta. Ou a chamada no real.
1 entre 100 irá refletir."


Dela.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

22/10/2002

Ela nunca sai de moda

A bunda que engraçada
Carlos Drummond de Andrade

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda.




Sempre tive vontade de colocar este poema. E sempre me bateu um pouco de vergonha de fazê-lo. Afinal, bem...Deixa pra lá.

E como estou no "mês Drummond", dá para deixar as inibições de lado e colocá-lo. Até porque, todo mundo já o conhece mesmo. Já o vi em varios blogs por aí e não é nenhuma novidade. E o que não falta são bundas nas tv's e revistas.

Ele é um poema simpático, divertido e bonito. Como uma bunda.

ps:
Poema e Figura tomados emprestados do site "Memória Viva de Carlos Drummond de Andrade"

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Moda. In e Out

Fiquei pensando nesta coisa de moda. E vi o quanto eu não costumo seguir modas mesmo. Na verdade fujo delas.

Eu adorava uma música que o Claudio me apresentou há muito e muito tempo atrás. Era um som diferente, balançado, gostoso de escutar. Eu e o Claudio ficamos um bom tempo atrás de informações. O Claudio chegou a ligar para a Radio Globo FM perguntando sobre ela, pois só esta rádio tocava. Descobrimos o nome e quem cantava, mas nunca encontramos o disco. Um belo dia eu encontro o disco na Saraiva, e compro. Não passou dois dias e começo a perceber que a tal música tinha virado moda. Era a El Arbi do Khaled. Aquela música árabe que passou a tocar em todas as rádios direto. E quando vi que ela tinha se tornado moda, me deu vontade de usar o CD como frisbee.

E trabalho em uma profissão que é danada para ter modas. Acho que só propaganda é mais chegado a novidades, modismos e buzzwords que a informática (claro que tem o próprio mundo da moda, mas isso não conta). E me enche muito a paciência isso. Um dia estavamos com vontade de testar um novo desenvolvedor para trabalhar para nós. Meu gerente marcou uma reunião com um técnico deles e eu expliquei o que queria, Um sistema de controle de pendencias na intranet feito em páginas asp e html. O cara veio cheio de termos e jargões, intercalando-os com trocentas palavras em inglês, Fui obrigado a usar do meu jeitinho "fofo Special" : "Meu amigo, isso tudo é besteira, ou se você preferir, bullshit. Eu quero um treco simples, não vem com estas palhaçadas que eu não vou aceitar porcaria nenhuma.".

Já com relação a roupas, nem falo nada. Não existe moda para gordo. Gordo quase sempre é Out. Só é in nos restaurantes.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

O Livro de visitas

Vou responder aos recados do livro de visitas, pois alguns pontos ficaram no ar.

Adriana e Clarice: Já conversamos por email certo?

Marguinha: Gosto muito da frase que você colocou :) e acabou saindo né?

: Cota zero é o nome do poema dele!. E eu estou vivo sim. Vivo; relativamente bem, com uma pequena dorzinha mas já medicada; Estou blogando; e estava meio sumido hoje por causa do trabalho e por estar escutando música.

Alê: Telegrama? Não o porto é um blog. Não um telegrama. Mas por que telegrama?

Junia: Livro de visita é out?????!!!!! Poxa, eu juro que não sabia. Não costumo acompanhar as ultimas tendências do "mundo blogueiro". E também não sabia, por não ligar para estas coisas de in e out. Portanto, se os comentários voltarem, e eles vão voltar, não vai ser por serem in e o livro de visitas out. Ou vice-versa.

E eu acho, Junia, que o livro de visitas tem o seu papel sim. Acho que seria o local ideal para as pessoas deixarem registrados os recados que não se relacionam muito com os posts, como as vezes as pessoas são obrigadas a fazer, por falta de um livro de visitas. Bem, mas cada um na sua e com alguma coisa em comum (acho que já vi esta frase em algum lugar...)


Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

21/10/2002

O mais adequado

Cota Zero
Drummond - Alguma Poesia - 1930

Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?




É isso.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

The 70's show (Baú Musical)

Gosto desta. É fácil cantar:

Fly Robin fly
Silver Convention

Fly Robin fly
Fly Robin fly
Fly Robin fly
Up up to the sky


Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Ciência explica famosa dúvida popular

"Não sei se caso ou se compro uma bicicleta"

[ps]

Link é só para assinantes.
Resumindo, fala o seguinte:
"A prática prolongada do ciclismo pode exercer uma pressão sobre a anatomia masculina capaz de causar a impotência"



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Hoje Rio:

Muito quente. Podia chover.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

2 puxões orelha

Li recados. Li emails. Tô processando.
Obrigado p/puxões orelha. :)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Contrib. p/agilidade vida moderna

M

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Vem aí:

BLC - PUMM

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

20/10/2002

Snif

CassioJ (11:07 PM) :
olha se não parece comigo:

Ah, todo chato é bonzinho
Nunca nos faz nenhum mal
Ah, todo chato é calminho
Como se faltasse sal

Ah, todo chato te conta
Aonde passou o Natal
E sempre te da um dica
De onde ir no carnaval
Ah, todo chato cutuca
Pra você prestar atenção
Chama cabeça de cuca
E arranha um violão
Diz que inventou uma música
E toca as seiscentas que fez
E quando você abre a boca e boceja
Ele toca tudinho outra vez


Estella_Bursztejn (11:08 PM) :
hahahahahahahahah
parece né x)
CassioJ (11:09 PM) :
era para voce falar que não!!!!!!!!!!!!!!
CassioJ (11:09 PM) :

Estella_Bursztejn (11:10 PM) :
HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
ah é?? desculppaaaaaaaa
então tá.. parece nãooooooooooooooooooooooooooooooo :D
CassioJ (11:11 PM) :
agora não adianta mais
Estella_Bursztejn (11:11 PM) :

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Em 42 eram dois milhões de habitantes..

A bruxa
Carlos Drummond de Andrade - José - 1942

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse nesse minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e calma.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me,
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.




Grande?? Sim. Um pouco, e nem é dos maiores. Mas é muito bonito. Portanto, deixa a preguiça de lado e dê uma lida.

Faz assim, não leia agora, já que você está correndo contra o tempo, pulando de página em página. Copie e cole no Notepad, ou no Word, e salve ele em disco, e quando chegar aquele momento que dá para dar uma paradinha, lembre dele, abra o arquivo e leia. Eu acho que você vai gostar.

Além do que, o próprio Drummond pede "Companheiros, escutai-me!". Parece que ele sabia que ia chegar um dia em que as pessoas não teriam mais tempo para ler. Só seria possível passar os olhos.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Coitado??

Li na istoé:

Uma garota de programa familiar

Um empresário israelense resolveu requerer os serviços de uma garota de programa no hotel em que estava hospedado. Quando abriu a porta do seu apartamento e olhou a moça, quase desmaiou: a garota era uma de suas filhas. Segundo o jornal Maariv, depois de recuperado da surpresa o empresário contou a história para a sua mulher. Ela pediu o divórcio alegando traição.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Atenção Cuidado: Longo post esclarecimento.

Rita :
Tirou os comentários é?
CassioJ :
Sim. Tava me incomodando um pouco com eles.
CassioJ :
Ai caramba. Tenho que tomar cuidado com o que eu falo, não quis dizer os comentarios das pessoas, e sim com o sistema de comentários e o conceito de comentar em si.
Rita :
Nossa isso foi profundo =)
CassioJ :
Sacaneia :) você adora me sacanear mesmo :(
Rita :
Mas como as pessoas vão falar com você agora?
CassioJ:
Recebeu meu email com a letra da música?
Rita :
Recebi sim. Mas de novo você usando sua tática de não me responder mudando de assunto. Como vão falar com você?
CassioJ :
Droga, você é esperta demais :( Existem varios meios. Se você reparou, e eu sei bem, a maioria das pessoas que comentam ali, conversam comigo no icq em maior ou menor frequencia. E também tem o Email. Se eu escrever algo realmente inmportante para alguem, que ela ache necessário falar comigo, pode usar o email (CassioJps@yahoo.com.br), como você mesmo fez. Além disso eu coloquei um livro de visitas para quem me visita e quer deixar um alô.
Rita :
Entendo. Mas email é muito chato, e tem pessoas que não conversam com voce no icq. Os comentários são práticos e todo mundo pode ver.
CassioJ :
Não sei do que você reclama. você é uma das varias pessoas que vão lá e nunca comentam nada.
Rita :
é que eu sou tímida =p
CassioJ :
Isso é mesmo. Nem me autoriza a colocar as conversas :((
Rita :
Mas e os comentários? o que te incomodava?
CassioJ :
Não poder responde-los, por exemplo. Deixavam a página lenta, E outras coisas. .
Rita :
Quais?
CassioJ :
Menina curiosa!!! Tá legal.. Eu tive uma crise de uma das viroses que atacam quem tem blog. O "Virus do Comentário".
Rita :
cuma??
CassioJ :
É um virus que atinge quem tem blog, e faz a pessoa pensar que não está mais "agradando" quando as pessoas deixam de comentar os posts. O cara escreve um post que acha legal. Coloca lá e pensa "Acho que o pessoal vai gostar" e ninguem comenta nada. Entào ele escreve uma besteira qualquer. E gera uma cadeia de discussão. E então o virus se instala e ele fica achando que ninguem mais lê as coisas que ele escreve. Para ele baixar hospital é um pulo.
Rita :
hauauauauhahahauauauahahauaha
CassioJ :
Sem falar da febre que a pessoa tem quando vê que ninguem comentou nenhum post. Como o virus estava se instalando, eu resolvi isolar ele, retirando os comentários. Afinal eu sou um dos que advogam que Blog é antes de tudo para a pessoa que escreve, não tem que querer agradar a ninguem, e que ninguem fica famoso escrevendo blogs.
Rita :
mas vai ficar assim para sempre? E nem explicou nada, ficou meio antipático isso.
CassioJ :
Não. Talvez eu coloque de volta. Quando eu sentir que o virus foi erradicado. Falta bem pouco.
:( Achou?? já sei. vou colocar a nossa conversa.
Rita :
NAOOOOOAOOOAOAOAOAOAOAOOAAOOAOA
CassioJ :
Deixaaxaxaxaxaxaxaxaxaxaxaxax!!!!!!!!
Rita :
Só se trocar o nick e não colocar o horário. E esperar um pouco para colocar.. E me mostra antes para eu aprovar...
CassioJ :
Quanta exigencia!!!!! Tá bom.. Aceito...
CassioJ :
Que tal??
Rita :
Tá bom. pode colocar, e quem é Rita?
CassioJ :
Você. é que eu to com uma revista aberta aqui na minha frente e tem uma foto da Rita Camata..
Rita :
Arghhhh
CassioJ :
Preferia Erundina???
Rita :
hauauauauhahahauauauahahauaha NÃO!!! Tá bom.. Tá bom.... =) =**






Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

19/10/2002

Canção

O Arco
Carlos Drummond de Andrade - Novos Poemas, 1946-1947

Que quer o anjo? Chamá-la.
O que quer a alma? Perder-se.
Perder-se em rudes guianas
para jamais encontrar-se.

Que quer a voz? Encantá-lo.
Que quer o ouvido? Embeber-se
de gritos blasfematórios
até quedar aturdido.

Que quer a nuvem? Raptá-lo.
Que quer o corpo? Solver-se,
delir memória de vida
e quanto seja memória.

Que quer a paixão? Detê-lo.
Que quer o peito? Fechar-se
contra os poderes do mundo
para na treva fundir-se.

Que quer a canção? Erguer-se
em arco sobre os abismos.
Que quer o homem? Salvar-se,
ao permeio de uma canção.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Sulley



Hoje foi aniversário do meu filho mais novo. 12 anos.
Passamos o dia fora e comprei para ele de presente o DVD do desenho "Os Monstros". Junto com o dvd vinha uma máscara do Sullivan ou Sulley, aquele monstro azul. Quando chegamos em casa, eu não resisti e coloquei a máscara. E ele me saiu com essa:

-Ei, ficou perfeito em você. Achou o seu verdadeiro eu!

Ai caramba... Pai sofre.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Seria Charles Bukowski astronauta?

CassioJ (1:54 AM) :
Valeu!
vou procurar amanhã este livro :)
esta coleção não é muito cara. e eu estou sem grana.
:: Cheshire :: (1:55 AM) :
do charlitos =]
eu to pensando em comprar tb
CassioJ (1:56 AM) :
charlitos?
:: Cheshire :: (1:56 AM) :
charles
bu alguma coisa q eu nao sei escrever
CassioJ (1:56 AM) :
ahh :)) buchovisk :))
:: Cheshire :: (1:58 AM) :
nomezinho dificil
CassioJ (1:59 AM) :
carlos buko. Pronto. fica mais facil assim :)
:: Cheshire :: (2:00 AM) :
=] o coitado deve ter se revirado no tumulo agora
CassioJ (2:02 AM) :
problema dele. Quem mandou ele nào adotar um nome mais facil como verissimo? foi querer logo ser "Bukowski"?? problema dele...
:: Cheshire :: (2:04 AM) :
ele era alemao
=] nem condene o coitado
CassioJ (2:05 AM) :
Neste caso, até que o nome dele é bem simples então. alemães costumam ter nomes só com consoantes..
gfktmqs vklmdshdkwwfk
:: Cheshire :: (2:06 AM) :
alemao é sacanagem.... quase marciano
CassioJ (2:06 AM) :
Já estudou marciano?
:: Cheshire :: (2:07 AM) :
um pouco
nao consegui sair do basico
CassioJ (2:08 AM) :
Eu fui até o nivel B2. Mas me encrenquei na hora dos verbos armorianos. Muito dificeis. Voce tem que deitar no chao para poder pronunciar. :(
:: Cheshire :: (2:10 AM) :
=] eu nem cheguei nessa...

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

18/10/2002

Quanta diferença...

Iniciação Amorosa
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930

A rede entre duas mangueiras
balançava no mundo profundo.
O dia era quente, sem vento.
O sol lá em cima,
as folhas no meio,
o dia era quente.

E como eu não tinha nada que fazer vivia namorando
as pernas morenas da lavadeira.

Um dia ela veio para a rede,
se enroscou nos meus braços
me deu um abraço,
me deu as maminhas
que eram só minhas.
A rede virou,
o mundo afundou.

Depois fui para a cama
febre 40 graus febre.
Uma lavadeira imensa, com duas tetas imensas, girava
no espaço verde.




Lendo este poema, parece mesmo que ele é de um livro editado em 1930. Pois como as coisas são diferentes hoje em dia.

Mas não são tanto assim. Outro dia mesmo eu vi numa notícia de um jornal sobre uma prostituta que contaminou com aids um monte de meninos. Não lembro direito da história, mas foi algo assim. E por que ela contaminou estas crianças? Talvez porque alguns pais idiotas acharam que seus filhos tinham que ter uma iniciação sexual com uma profissional. Triste isso.

Drummond colocou como título "Iniciação Amorosa". Por mais que tenha sido uma ligação carnal, tem um componente amoroso na história do menino na rede.

E na história da prostituta? um componente de ódio.

Bem, é isso por hoje. Estou cansado, resultado de um dia complicado na parte da tarde. Agora é descansar um pouco a cabeça escutando um violino tocando junto com um piano.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Flutuando

E eles se levantaram,
uma multidão de cinquenta mil.
Todos posicionados. Todos esperando.
A chuva caiu como um oceano.
E então veio esta estrutura.
Todos permaneceram juntos.
Ela começou a flutuar para as estrelas.
E todos eles flutuaram junto.

DM - TS - 19/07/2000

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Experimentando

Aviso que qualquer coisa diferente percebida por aqui, não é só percepção.
Mas nada é definitivo.




Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

17/10/2002

..........

Esperteza
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930

Tenho vontade de
-ponhamos amar
por esporte uma loura
o espaço de um dia.

Certo me tornaria
brinquedo nas suas mãos.

Apanharia, sorriria
mas acabado o jogo
não seria mais joquete,
seria eu mesmo.

E ela ficaria espantada
de ver um homem esperto.




Hoje não foi muito fácil decidir qual poema colocar aqui. Eu estava procurando por algo que pudesse falar por mim, mas não encontrei nada. Talvez ele não tenha passado por algumas situações. Ou talvez eu não tenha procurado o suficiente.

E na procura, encontrei algumas coisas interessantes, como o poema "Versos à boca da noite". Começa assim:

Sinto que o tempo sobre mim abate
sua mão pesada. Rugas, dentes, calva...
Uma aceitação maior de tudo,
e o medo de novas descobertas.


Continuei a ler e virei a página. Me assustei. Ele era muito grande. Eu ia demorar um bom tempo digitando e eu estava querendo fazer outras coisas. E também ele é muito pesado. Já basta o de ontem.

Então achei melhor colocar o poema "esperteza". Pelo menos ali, ele fala de coisas mais agradáveis.

Depois foi outra dúvida. "Que título que eu coloco?? Loura? Não.. Há, deixa sem título. Coloca um monte de pontinhos.... você é chegado mesmo neles...."

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

O Homem que perdeu a identidade

Tudo começou quando ele acordou de manhã e não achou a sua carteira de identidade. Ele ia precisar dela durante o dia e não a encontrava. Ele revirou os bolsos de todas as suas calças, de todas as camisas, de todos os paletós. Revirou pastas, escanhinhos, maletas, bolsas. E nada. Todo mundo já passou por uma situação como esta, não? Dá para imaginar como ele estava se sentindo.

Droga. Tinha que ser a identidade.. Se fosse só pelo número, ele poderia usar outro documento, como a carteira de motorista, mas ele ia precisar de uma cópia da carteira. E não a encontrava.

Já estava ficando atrasado. Não podia mais procurar por ela. Saiu de casa e pegou um táxi. Já estava estressado o suficiente para ainda ter que procurar por estacionamento no centro da cidade.

-Av. Rio Branco por favor. Edifício Avenida Central.
-Pois não chefia! Tá quente hoje não? E as eleições?? Vai votar no Lula?
-Meu amigo, a corrida deve dar mais ou menos uns vinte reais, certo?
-Sim, é mais ou...
-Pois bem, lhe dou trinta se eu puder ir em silêncio.
-Feito.


Ele foi pensando na identidade. Onde será que ele tinha enfiado a porcaria daquele pedaçinho de plástico? Uma revolta grande foi tomando a cabeça dele.Tirou do bolso um cartão para confirmar o endereço onde deveria ir......

Uma mão no ombro o desperta.

-Alô chefia, Chegamos.
-Hã? O que? onde..Há...
-São 20 reais e mais os 10 que o senhor prometeu.


Saiu do carro. Ficou na dúvida o que tinha mesmo que fazer. Mas aquele cartão na sua mão indicava o endereço daquele prédio em frente. Era para lá que ele deveria ir. Na sala, uma recepcionista sorri para ele.

-Ola! Seu nome por favor.

Ele se surpreende. Revira os bolsos. Seus dedos percorrem todo o interior. Encontram moedas, chaves, cédulas, cigarros, isqueiro. Mas não o que ele procura. E ele não se reconheceu no espelho atrás da moça.

-Por favor senhor, qual o seu nome?
-Não sei!! Perdi minha identidade.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Que falta faz um analista.

Dando uma passada rápida, ainda sob o impacto de uma troca de emails meio complicada na parte da manhã (Atenção: Não tem nada relacionado com aquilo que eu falei sobre começar o dia escutando besteiras).
Queria ter colocado a troca de emails aqui. Seria o local ideal para eu deixar ela registrada. Mas não obtive autorização para isso. Mas posso colocar um pedaço do meu email final:

"De: Cassio
Para: Uma pessoa muito chegada, que não me autorizou a falar nada.
Assunto: Algo

Bem, você já me colocou encucação suficiente para dois dias.
Se eu fizesse análise, já estaria ligando desesperado para o meu analista.
Voce sabe o quanto eu gosto daquilo (...)
Mas no seu caso agora foi pior.... Como não sei se foi critica ou elogio, acho que vou tomar um café..."


Tive que concordar muito com a resposta que recebi ao email acima.

Post Misterioso?? Sim, muito. Até para mim. Sei que a curiosidade eventualmente será grande, bem como algumas irritações com isso, mas mais do que isso é impossível. Eu só queria exorcisar uma preocupação, e faço isso as vezes falando do assunto. Mesmo que não de uma forma de todo legível.

Agora é desconectar, pois a conta telefonica está cara, e voltar a ler um livro que parece ser muito interessante. Comecei a ler ele hoje na volta para casa, no ônibus da empresa, e nem dormi!!! Talvez por isso o tempo esteja mudando. Ou será que foi por eu ter lavado o carro ontem??

Foi reler o email aí de cima e me dar vontade de tomar café....

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Sobre Drummond

Como eu sei que o Cassio gosta muito dele, eu reservei um exemplar dessa revista, já que ela não tem uma boa circulação pelo país, e quem a produz é a Editora da Imprensa Oficial de Pernambuco.
A matéria principal é sobre o centenário do Drummond, é quase uma mini-biografia do escritor.
Mas também tem duas matérias ótimas na revista desse mês, uma sobre a cineasta Leni Riefenstahl, a única que soubre transmitir os ideiais de estética do Nazismo, por isso ela era a preferida de Adolf Hitler, e tinha apoio do governo; outra fala dos artistas pernambucanos que precisaram se mudar para o Sudeste afim de que seus trabalhos sejam mais amplamente reconhecidos, o caso de Siba (Mestre Ambrósio), Lirinha (do Cordel do Fogo Encantado, que por sinal é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o), Otto, e dos que eu senti falta, Alceu Valença e Lenine, não teve muita citação.

Essa revista é muito boa, e eu acompanho desde seu primeiro exemplar.

Ps: O Suplemento Cultural do Diário Oficial de Pernambuco também tem coisas interessantes, é publicado uma vez ao mês, inclusive a do mês passado falou sobre blogs.

Ancorado por Dorothea Marx | Link

(0) comments

 

Já não gostei.

Começar o dia escutando besteira é dose....
Calma Cassio...

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Levando susto tarde da noite.

CassioJ (2:15 AM) :
MERDA!!!!!!!!!!!!!!
Alê. (2:16 AM) :
q foi????
CassioJ (2:16 AM) :
Eu tenho um trauma de infancia..
Alê. (2:17 AM) :
Natal?
CassioJ (2:18 AM) :
Este também. Mas neste caso agora, é outro.
Eu não posso ver um inseto rastejante como lacraia e afins, ou mesmo outros insetos
(com excessão de baratas e formigas) que me dá um nervoso na perna. Como se eles estivessem subindo
pela minha perna. E tambem não gosto de coisas que esbarram na minha perna sem eu perceber.
Penso logo que é um inseto e me assusto.
Alê. (2:20 AM) :
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
e o q foi q apareceu aí???
CassioJ (2:20 AM) :
Voce ri é?? Humpf..
Foi o fio de energia do tibúrcio :(( E NADA DE RIR!!!!
Alê. (2:21 AM) :
hahahahahaha
hehehehehehehehehehehehe
:))))))))))))))))))))))
queridoco, vou me já antes que durma aqui
CassioJ (2:22 AM) :
Tambem vou. Acordo cedo para trabalhar.. E pensar que hoje eu acordei as 11:00 hs :(
Por isso estou sem sono algum :(((
Alê. (2:22 AM) :
um dia que vc ñ estiver olhando passo as pontinhas de uma vassoura de piaçava na sua canela :)))
CassioJ (2:23 AM) :
E EU TE DOU UMA PORRADA!!!! :))
Alê. (2:23 AM) :
hahahahahahahahaha
CassioJ (2:23 AM) :
Boa noite menina :))
Alê. (2:23 AM) :
'noite :D

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

16/10/2002

Rio de Janeiro, Hoje

Congresso Internacional do Medo
Carlos Drummond de Andrade

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.




Hoje, depois da consulta, dei uma volta pelo shopping onde fica o consultório. Depois, tentando fazer chover nesta cidade, resolvi levar o carro para lavar e trocar o óleo. Voltei para casa, fazendo antes uma parada para um café. Chegando no prédio, passei por alguns vizinhos que estavam na portaria. Em todos estes lugares, escutei pessoas falando dos acontecimentos da madrugada aqui no Rio.

Na volta para casa, parei em um sinal. Um garoto se aproximou para pedir esmola. Um adolescente. Normalmente não me preocupo muito com eles, pois os pedintes costumam ser crianças pequenas. Mas aquele garoto grande se aproximando, ligou uma chave de medo aqui dentro. Mas ele me surpreendeu. Levantou a camisa e deu um giro, me mostrando que não estava armado. Ele deve ter visto o medo na minha cara, ou talvez já faça isso com todo mundo, pois sabe-se lá o medo que ele deve ter da reação das pessoas.

Pensei em dar algum trocado para ele. Mas eu estava sem nenhum. Os últimos foram no café. Me senti meio culpado por isto. Fiquei pensando na velha história (ou lenga lenga) do "problema social" ser causa da violência. Em seguida bateu a dúvida sobre o que aquele garoto ia fazer com algum eventual trocado que eu lhe desse. Talvez fosse comprar alguma droga, e não algo para comer.

Ahhh, sei lá.. Tem coisas que doem e cansam só de pensar, e ver, e sentir....

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Como diferenciar.

Como o nome do autor do post sai com um fonte pequeno, eu uso uma formatação no título para diferenciar quem escreveu o post.

Quando o título for assim, quem escreveu fui eu
E quando for assim, quem escreveu foi a Pandora.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Tenho mesmo??

Não fui trabalhar hoje, pois tenho uma consulta daqui a pouco. Já estou saindo.
Mas me pergunto: "Tenho mesmo?"

Tá ficando muito complicado...

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Legal!!

Os caras me publicaram mesmo!!!.
Para quem quiser ler, o link é este

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

O Claudio gostou e me mandou.

E eu gostei também.


Dawn of the sounds - Alex Manfredini
(PhotoShopWorld GuruWinner)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

15/10/2002

Mas hein?

Mas o que é isso?
Como eu sei que o Dennis aparece por aqui, eu queria saber de onde se originaram os maníacos fervorosos que resolveram agredir gratuitamente com discussões de moral.
Aonde vai parar o limite da tolerância?

Ancorado por Dorothea Marx | Link

(0) comments

 

Monólogo

O constante diálogo
Carlos Drummond de Andrade

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
                   o semelhante
                   o diferente
                   o indiferente
                   o oposto
                   o adversário
                   o surdo-mudo
                   o possesso
                   o irracional
                   o vegetal
                   o mineral
                   o inominado

Diálogo consigo mesmo
                   com a noite
                   os astros
                   os mortos
                   as idéias
                   o sonho
                   o passado
                   o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
                   e
tua melhor palavra
                   ou
teu melhor silêncio

Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.




Começo com uma observação. Eu venho colocando o post "Drummond" como o último do dia. Como eu não sei se volto aqui hoje, vou colocar como o primeiro de hoje.

Este poema tem uma rápida história. Quando eu reencontrei o livro "Reunião", conforme contei alguns dias atrás, dentro dele estava uma folha de caderno com este poema escrito. Não o coloquei antes pois com tantas coisas que eu já li que são ditas do Drummond, e não o são na verdade, desconfiei que aquele poema talvez não fosse. Até que confirmei ele ontem a noite.

Mas voltando a folha de caderno, olhei a letra, que me pareceu muito familiar, mas não reconheci de imediato. Mostrei para a minha mulher que falou: "Era a sua letra.". Só então eu vi que era mesmo. E vi como era diferente.

Hoje em dia quando escrevo alguma coisa uso teclados de computador e um editor de textos na maior parte do tempo. Raramente uso papel e lápis (ou caneta), e quando o faço é para tomar notas de reuniões; necessidades de usuários, ou situações de erro. E sempre com pressa, rabiscando na maior parte do tempo. Mas naquela folha de caderno não. A letra estava "calma", bem desenhada. Não que fosse uma letra bonita, mas era bem legível e para mim, agradável.

Mas o que incomodou um pouco, foi ter vindo à cabeça o cara que escreveu aquilo um dia. Um cara que não existe mais. Que se modificou e que hoje esta bem mais "rabiscado" que aquele. Senti saudades dele.

Atualizando

Eu recebi hoje uma pequena reclamação de uma pessoa, sobre o "excesso" de Drummond por aqui. É que possivelmente a pessoa não leu o dia 02/10 quando eu falei que iria colocar um poema por dia durante todo o mês de Outubro, como forma de comemorar o centenário do nascimento do Drummond. Já respondi o email, mas quis colocar este comentário aqui, pois algumas pessoas podem também estar achando a mesma coisa.

E tudo bem que você goste mais de Vinícius. Eu gosto mais do Drummond :) (sem brigas, por favor...)

E por falar em dialogo, nem tenho feito muito nos comentários. Leio todos, mas estou meio sem tempo para responder. :(

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

14/10/2002

Mesma coisa

Igual-Desigual
Carlos Drummond de Andrade - A Paixão Medida - 1980

Eu desconfiava:
Todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais

Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais.
E todos, todos os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
Ímpar.




Nem ouso alterar nada do que ele falou, mas eu acrescentaria:

Todos os dias e noites super quentes são igualmente horríveis.
Todas as preguiças são muito aborrecidamente iguais.
Todas as alergias ou coisas que não sabemos o que é mas que irritam (principalmente a garganta), são monstruosamente iguais.

Mas uma coisa não acho muito igual não. Mas falarei disto depois, em outro canto.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Pegando emprestado

Mais uma coisa que eu pego emprestado da Rosana

nascem varões
Rubem Braga, julho de 1949

O que talvez nos perturba um pouco é esse sentimento da continuação do mundo. Esses pequeninos e vagos animais sonolentos que ainda não enxergam, não ouvem, não sabem nada, e quase apenas dormem, cansados do longo trabalho de nascer - ali está o mundo continuando, insistindo na sua peleja e no seu gesto monótono. Nós todos, os homens, lhes daremos nosso recado; eles aprenderão que o céu é azul e as árvores são verdes, que o fogo queima, a água afoga, o automóvel mata, as mulheres são misteriosas e os gaturamos gostam de frutas. Nós lhes ensinaremos muitas coisas, das quais muitas erradas e outras que eles mais tarde verificarão não ter a menor importância.



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Frases (vindas do baú)


  • Se não fosse o Van Gogh, o que seria do amarelo? (Mário Quintana)

  • Um homem apaixonado confunde espinha com covinha. (Provérbio japonês)

  • Há duas tragédias na vida. Uma é não fazer o que o coração deseja. A outra é fazer.(Bernard Shaw)

  • Notei que estava ficando velho quando o locutor da FM disse "flash back" e tocou uma música que eu não conhecia. (Cao Hering).

  • Nada é impossível para quem não tem que resolver o problema ele mesmo. (L. A. Dias da Silva).

  • Na vida, quem não sabe escrever sessenta é sempre obrigado a preencher dois cheques de trinta. (Paulo M. Cerqueira).

  • O melhor marido que uma mulher pode ter é um arqueólogo. Quanto mais velha ela fica, maior o interesse dele. (Agatha Cristie).

  • O cérebro é como um pára-quedas. Só funciona quando está aberto (Sir James Dewar).

  • Na meia idade, as emoções se tornam sintomas. (Irvin S. Cobb)

  • O preço da justiça está no canhoto do meu talão de cheque. (Sérgio Naya)

  • Estou apaixonado pela mesma mulher há quarenta e um anos. Se minha esposa descobrir, vai me matar. (Henry Youngman)

  • Salve as baleias, destrua um spa. (Gisela Rao)

  • Gostaria de criar home pages, mas não sei o que elas comem. (Anônimo da Internet)

  • Sou incapaz de fazer mal a uma formiga. Bem que tentei, mas não entrava. (Eugênio Mohallen).

  • Eu li todos os volumes de O Capital, de Marx. Mas não entendi quem é que casa com quem no final. (Marcelo Aragão).

  • Roses are red, violets are blue, I'm schizophrenic, and so am I. (Frank Crow)

  • O avião ainda é o meio mais seguro, rápido, sofisticado e caro para se chegar atrasado em qualquer lugar. (Ozires Silva)

  • Eu fumo porque, na minha idade, se não tenho algo em que segurar, eu caio. (George Burns)

  • Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não. (José Saramago)

  • Jesus não agradou a todos. Não é eu que vou agradar. (Carla Perez)


Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

13/10/2002

Hoje não podia ser outro...

Oficina Irritada
Carlos Drummond de Andrade

Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.

Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.

Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.




Podia?

De qualquer forma, a irritação já baixou para níveis aceitáveis de tolerância. Como eu fiz? Vamos ver se eu consigo falar.

Primeiro de tudo: Me isolar. Claro que relativamente. Hoje foi um daqueles dias que eu queria estar num quarto de hotel, sozinho. Mas já que não foi possível, fiz um isolamento físico "meia-boca". E um isolamento virtual completo. Se eu não estou bem, não vou passar isso para as pessoas, irritando-as também.

Depois, o tratamento de sempre. E agora, não posso deixar de falar do sorriso que dei quando vi o comentário que a Midori Elis deixou no post aí de baixo: "eu fico melhor quando ouço música...". Eu também Elis!

Hoje por exemplo, passei a madrugada, manhã, tarde, baixando umas coisas. E quando eu escutei duas delas em particular, dei uma boa melhorada. Duas músicas bem "porrada", daquelas que doem no ouvido. E quando eu percebi que uma delas começava com a frase que coloquei no post imediatamente anterior a este, não deu para resistir: "Climb on the boat, oh friend of mine, and we'll sail away"

Para ajudar, recebi uma música calminha.. para fazer contraponto com a "pancadaria" auditiva das outras. E finalizando os "remédios" músicais, recebo um email da Pandora falando: "Pode me mandar aquela música do DMB que voce vive falando? aquela tal quarenta e um" Claro que teve um pouco de falta de respeito dela, que deveria ter se referido à música da forma correta: #41. Mas vou dar um desconto, pois nem iniciada a Pandora é. Mas só o fato dela vir, por livre e expontânea vontade, procurar pela música já me deixou contente :)

E assim aos poucos a irritação diminuiu. Mas não acabou.

Ahhh, esqueci de falar que tudo isso foi regado com toneladas de Pepsi Twist (aquela com limão) e um picolé de tangerina (bergamota, mexerica, pocã, etc) também.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

The storm.

"Before I leave this, I believe that the storm is approaching, a magnitude of all others.
For this present world has seen such rain so great that I, the little pond, will flood all over.
Climb on the boat, oh friend of mine, and we'll sail away."


DM in TS - 28/07/1999

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Irritado.

Profundamente irritado, é como eu estou.

Uma irritação gratuita, fruto talvez de noites mal dormindas, menos por vontade própria do que por questões fisiológicas.
Irritação com o calor infernal que não diminui. Pelo menos eu não estou sentindo diminuir.
Irritação com a lentidão de uma conexão discada, que faz demorar muito qualquer música que eu queira pegar. E quando é de um grupo ou músico que não conheço é pior ainda pois sempre corro o risco de ouvir e ver que não era exatamente o que eu estava esperando.
Irritação com os canais de TV a cabo que, quando os comerciais começam, elevam o som a alturas irritantes.

Irritado também com birras de crianças por causa de jogos, e rusgas diversas.
Irritado com birras diversas, inclusive as minhas.

Talvez porque amanhã seja Segunda-feira. Mas eu já estava assim esta noite. Então não deve ser isso.
Talvez seja falta de navegar um pouco. Mas se for isso, estou ferrado.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

12/10/2002

Corpo

A Hora Do Cansaço
Carlos Drummond de Andrade - Corpo - 1985

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.




Nesta "viagem" diária pelos poemas do Drummond, sempre tenho tentado escrever alguma coisa que esteja relacionado com o poema que eu escolho. Tem dado certo até agora, mas não sei se vai ser sempre assim.

Hoje por exemplo. O que eu podia falar sobre o poema "A Hora Do Cansaço" ? Que é bonito e triste? Sim. Mas se é bonito e triste, também é verdadeiro.
Que faz pensar? Claro que faz. Qualquer poema faz. E este faz pensar nos relacionamentos, sejam de amor ou de amizade. Pensar o quanto queremos que algo dure para sempre, mas como quase nunca conseguimos isso. Não vou falar mais deste poema não. Ele está aí para ser lido, degustado e pensado por cada um.

Quero agora falar do livro Corpo.

Não é de hoje que eu gosto de Drummond. Antes de começar a namorar a minha mulher, há vinte anos atrás, eu já gostava e escrevia poemas dele para ela e para uma amiga nossa. Não era "chaveco" com elas não, pois nunca fui de fazer isso. Dava um trabalho danado escrever duas cópias de cada poema para uma e para a outra. Mas eu gostava de fazer isso.

Acabei namorando a minha mulher e claro que não foi por causa dos "Drummond" que eu dava para ela ler. Acabei ganhando dela dois livros dele: "A Paixão medida" e "Corpo". E este livro, "corpo", que está agora na minha mão, tem uma coisa especial: Uma assinatura do Drummond.

Ela passou por uma livraria que estava vendendo vários livros autografados pelo Drummond. O livro tinha sido lançado recentemente e teve uma noite de autográfos na livraria. Depois que terminou, Drummond deixou com o dono da livraria vários exemplares autografados para serem vendidos, e um deles veio parar na minha mão. Claro que não preciso dizer que este livro é de estimação.

Claro que não tinha nenhuma dedicatória. Nem ao menos escondida como eu costumo fazer de vez em quando.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Pânico doméstico

Terror, correria, tumulto e quase pancadaria num apartamento do Rio de Janeiro.
Não. Isso não é uma manchete de jornal falando que traficantes invadiram um apartamento não. Foi uma incidente doméstico ocorrido aqui em casa, mas o clima que se formou foi bem parecido (exagerando um pouco, é claro).

Minha mulher estava na cozinha. Eu sentado na mesa catalogando meus cds de MP3 (dá um trabalhao danado, mas é muito divertido). Meu filho mais velho dormia no quarto dele, deitado no chão. E o mais novo? Ele estava armando a confusão no banheiro.

Fechou o ralo do box; abriu as duas torneiras do chuveiro no máximo e começou a encher o box, transformando-o numa pequena, minúscula piscina. Só que os planos dele não contavam com a água vazando do box cheio, alagando o banheiro, que estava com o ralo também fechado. E a água depois de alagar o banheiro começou a vazar para o corredor, quartos, sala. Só foi percebida quando minha mulher resolveu ir no banheiro reclamar da demora do banho dele.

E então ela viu aquele monte de água... Bem, depois de momentos de pânico e correria atrás de rodo, panos de chão e vassoura, conseguimos debelar a enchente.

Consequências? Ele perdeu o cinema hoje. Sim, eu sei que era dia das crianças mas não dava para deixar sem um pequeno castigo. Saimos para dar uma volta. Mas nada de cinema. Só no sábado que vem, que é aniversário dele.

Pior que ele pegou o incidente que já contei aqui uma vez, quando eu e o Claudio colocamos fogo num depósito de ferramentas do meu pai, como justificativa para o alagamento: "É!! Mais você e o tio Claudio botaram fogo na casa!!!!"

Crianças... Já dizia Vinícius:

Filhos...Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

...
mais tarde, outro dia, eu conto uma coisa sobre este poema dele...

Atualizando

Conversando agora a pouco com a minha mulher, já começamos a rir do episódio.
Daqui a alguns anos vamos nos lembrar com muita saudade deste episódio, tenho certeza. Talvez até ele escreva no blog dele um post chamado: "O dia que alaguei o apartamento dos meus pais"

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Brincadeiras com uma pesquisa.

Esta pesquisa foi bem interessante e bonitinha. Quase um verso peladas pelados nu nua.

Juntando alguns sinais de pontuação, e um pouco de falta do que fazer enquanto se faz o download de umas músicas, é possivel fazer algumas brincadeiras com esta pesquisa:

Um Hai Kai erótico:

Peladas? Pelados!
Nu? Nua!

Um grito escadalizado:

PELADAS!!!! PELADOS!!!! NU!!!! NUA!!!! Ploft.

Um diálogo entre um homem polígamo e uma mulher monogâmica.

- Peladas??? pelados???
- NU!!! NUA!!!

[E ele veio reclamar]

Lembra dele? então. Resolveu aparecer:

-Ei ficou uma porcaria este post. Apaga esta merda.
-Eu não. gostei de escrever, me diverti muito escrevendo ele, e pronto.
-Que saco. eu já tive mais influência por aqui.
-Sim mas agora quem manda sou eu. Volta lá para dentro e fica quieto
-Mas lá ta muito quente e com a música muito alta. Dá para abaixar o som?
-Não.
-Saco.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Flash

É mesmo.. Esqueci de que nem todo mundo tem o Flash Player 6.0 instalado.
Eu coloquei dois brinquedos em flash no post aí de baixo. Por isso, pode aparecer um pedido de instalação do Flash..
Não é nenhum virus não. Caso não queria, é só responder não ao pedido de instalação, ok?
Se bem que hoje em dia algumas das melhores páginas estão em flash e portanto é sempre legal ter ele instalado.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

11/10/2002

Dia da Criança

Infância
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro... que fundo !

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.




Será que tem uma forma melhor de ser criança do que numa fazenda? Infelizmente minha infância já foi na cidade, assim como a dos meus filhos. Eu falei já foi na cidade, pois a do meu pai, foi passada numa fazenda do meu avô em Minas, que nem cheguei a conhecer. E nem sei direito esta história da fazenda, nem que fim foi dado a ela. Quem sabe o Claudio tem mais detalhes. Vou perguntar para ele depois.

Amanhã é dia das crianças e vou ter que levar o mais novo no programa que ele escolher. Até agora, depois de umas dez opções descartadas, quer ir ao cinema. Eu queria ver Sinais, mas ele escolheu ver o Scooby-Doo.

E lá vou eu, amanhã, assistir este treco.

E as crianças que não estão em fazendas e que pintarem por aqui durante o dia, podem se divertir com estes dois brinquedinhos: (com o patrocínio do Glacial)





(click em qualquer lugar dentro do retângulo, e use as setas do teclado para mover a joaninha astronauta)





(mova a joaninha com o joystick)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Uma folga não muito boa.

Hoje eu não trabalhei. Tive uma consulta na dentista antecipada para hoje por causa do feriado amanhã. Mas nem foi possivel aproveitar a folga direito. O que era para ser uma visita de rotina na dentista, acabou sendo uma meio traumático. Ela descobriu um problema num dos dentes e teve que aplicar anestesia num nervo bem doloroso. Levar aquela anestesia foi como se estivesse queimando o rosto todo. Mas pelo menos pegou o problema bem no começo.

Passar a tarde toda com metade do rosto anestesiado não é nem um pouco agradável. Já tinha até esquecido como era ruim.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

10/10/2002

Um problema bancário

Salário
Carlos Drummond de Andrade

Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.
Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.
Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.
Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!




Este poema é muito divertido, mas muito triste de se ler. Principalmente no início do mês quando se tem aquele monte de de contas para pagar.
É terrivel quando se passa o dia inteiro tentando tirar um extrato bancário para ver como anda o numerário.
Depois de muito tentar acessar a conta pela internet, acabei indo ao banco. E as duas máquinas que imprimiam extratos estavam com a impressora ruim.
Por isso que eu não acredito neste negócio de computador e informática.

Este lance de depender de salário, é mesmo um calvário.

ps.

Vou ficar devendo em que livro e ano este poema foi publicado. Estou sem uma das minhas fontes de consulta.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

O Culpado

A culpa é do Dennis. Ele ficou me incentivando e cobrando para escrever outro conto.
E então acabei escrevendo.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

O "tamanco"

Como ele odiava aquele tamanco. Desde aquele dia que Carla tinha chegado com aquele monte de pacotes e o famigerado tamanco foi a primeira coisa que ela tirou de dentro da bolsa. Antipatia à primeira vista.

E nem adiantava Carla falar para Eduardo que aquilo não era um tamanco, que era uma sandalha de uma grife famosa. Para ele era um tamanco e pronto. Mas ele nunca foi de reclamar das roupas e calçados da mulher. Portanto, mesmo não gostando do tamanco, não falou mais nada.

Carla era uma linda morena, chamava muito a atenção. Discreta, não era como aquelas peruas que se costuma encontrar normalmente por aí, era até bem simples mas tinha uma exuberância natural. Se usava uma coisa mais chamativa, era só porque gostava mesmo e não para chamar a atenção.

Ela era bem mais alta que Eduardo e eles nunca se preocuparam muito com isso. Com os quase 10 centímetros de altura do tamanco, Carla passava dos, para Eduardo, estratosféricos um metro e oitenta e cinco. Se ele tivesse contado para alguém a raiva que sentia do tamanco, ninguém teria dúvidas do motivo.

Bem que ele tentou esquecer o tal tamanco. Uma noite foram num bar com um casal de amigos. Carla estava com o tamanco. Eduardo passou mal a noite toda. Era uma dor de cabeça constante que foi mudando de posição até chegar a barriga. Ele sentiu a cólica e foi para o banheiro. Enquanto estava lá sentado, escutou dois caras entrarem e conversarem:

- Você viu aquela morena da mesa em frente ao palco?
- Uma que está com um casal e um baixinho?
- É esta mesmo. Viu que bunda? Porra meu, quando ela passou pela nossa mesa quase endoidei
- E como ele é cheirosa, sentiu?
- Não senti não? Claro que senti. Mas nem liguei muito para o cheiro. O negocio é aquela bunda dela.
- É mesmo. E com aquele tamanco que ela esta usando, parece que a bunda fica mais empinada!!
- Nem me fale...


No banheiro, agora em silêncio, Eduardo, que nunca tinha brigado em toda a sua vida - e não seria agora a primeira vez - viu que toda a dor tinha passado. Mas fingindo passar mal, convenceu Carla a ir embora

Quando precisou viajar a trabalho, nem se perguntou porque aceitou o convite de uns amigos para ir numa boate, mesmo sabendo que normalmente não ia nestes lugares. Ele tinha notado uma queda no seu desejo. Deitado, olhando para Carla ao seu lado, ele se perguntava o motivo. Não conseguia entender. Talvez ir à boate fosse uma forma de se encontrar. Mas lá, a falta de desejo não mudou muito, por mais que lingeries eróticas desfilassem na sua frente e strip-teases fossem feitos a distância de um braço.

Ele viu quando uma linda loira entrou e subiu em um dos palcos para dançar. Mas Eduardo nem reparou na sumária calcinha que ela usava. Ele só tinha olhos para o tamanco dela. Se não era igual ao de Carla, era muito parecido. A iluminação da boate não deixava ver detalhes, mas para ele era o mesmo modelo. Sua decisão intempestiva de ir embora com um olhar meio transtornado, fez os amigos brincarem com ele "Já vai viado? Garotas não fazem o seu gênero né? Se quiser posso conseguir o endereço de uma boate gay"

Para relaxar Eduardo fazia trabalhos manuais. Tinha transformado um dos quartos em uma pequena oficina, onde fazia aeromodelos em madeira. Quando pegou no serrote para cortar uma prancha de madeira, logo lembrou do tamanco. Não pensou duas vezes, foi no armário e pegou o tal. Sozinho em casa, com um serrote na mão e o tamanco na outra... Que idéia! Mas o barulho da porta da sala abrindo fez ele desistir. Melhor tentar a diplomacia. Convencer Carla a se desfazer do tamanco talvez não fosse tão difícil. Eles sempre tiveram uma conversa aberta. Nunca tiveram nenhum problema de diálogo.

Sairam para jantar sozinhos. Carla novamente foi com o tamanco. Durante o jantar Eduardo contou o que estava ocorrendo. Contou o que tinha escutado no banheiro. Contou do serrote. Estratégicamente omitiu a boate. Contou da falta de desejo, que Carla já tinha notado. Não resistiu e chorou.

Voltaram para casa. Carla dirigindo, pois Eduardo não conseguia parar de chorar. Ela teve que tirar o tamanco, pois com ele, não conseguia encaixar o pé corretamente nos pedais. Este detalhe e mais aquele cara chorando ao seu lado a convenceram. Na garagem do prédio ela falou para ele que ia jogar fora o tamanco. Ele vibrou. Enquanto ela colocava pela última vez o tamanco, ele já tinha despertado todo o tesão que julgava perdido.

Subiram no elevador já se agarrando e se beijando. Carla mal conseguiu abrir a porta. Foi se despindo pela sala, deixando tudo espalhado pelo apartamento.

Eduardo sentiu sede. Estava suado, exausto, com sede, e feliz como nunca estivera. Saiu debaixo do lençol, e foi para a cozinha. Não pensava em nada alem daquela morena linda que começava a cochilar lá no quarto. Como ele a amava. Muito. Nem percebeu direito o que aconteceu. Sentiu que pisou e tropeçou em alguma coisa. Ainda com as pernas bambas de agora a pouco, não conseguiu se equilibrar e caiu. No meio do caminho não tinha uma pedra. Tinha uma mesinha de vidro. Nem sentiu muita dor.

Quando Carla, assustada com o barulho, acendeu a luz da sala, a última coisa que Eduardo viu foi um tamanco preto, que com o tropeço tinha rolado para perto do seu rosto.

Como ele odiava aquele tamanco. Desde aquele dia que Carla tinha chegado com aquele monte de pacotes e o famigerado tamanco foi a primeira coisa que ela tirou de dentro da bolsa. Antipatia à primeira vista.

E agora ele sabia o motivo.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

09/10/2002

História Universal

Balada do Amor Através das Idades
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando eu ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois, (tempos mais amenos)
fui cortesão em Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina;

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.




Este é um poema que eu gosto muito.
Sempre que eu o leio, me vem na cabeça as imagens das cenas descritas. Como um filme.
Aliás, um filme baseado neste poema seria bem legal.
Com direito a final feliz.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Antes do Drummond, um vinho

Não sou eu quem estou bebendo não. Até porque não posso beber por conta de um remédio. Mas o vinho em questão foi o tal Romanée-Conti que o Lula tomou depois do último debate do primeiro turno. No dia que eu li a noticia, nada mais me veio na cabeça do que a vontade de tomar um pouco deste que é considerado um dos melhores vinhos do mundo.

E hoje eu vi a coluna do Elio Gaspari no jornal "O Globo", onde ele resolve dar uma avacalhada no Lula, na minha opinião, por causa disto. Ele falou:

"Lula tem todo o direito de receber de presente um vinho de milionário, trazido por um amigo numa ocasião especial. Agradece, manda que se faça uma rifa em benefício dos sem-Romanée e bebe o que bem entende. Degustando o mimo de Duda, tornou-se um candidato que falou em fome no estúdio da TV Globo em Jacarepaguá e uma hora depois bebeu Romanée-Conti em Ipanema."

E ao ler isso me veio na cabeça aquela frase do Joãozinho Trinta: "O Povo gosta de luxo; Quem gosta de miséria é intelectual". Mas também passou a idéia de que tudo pode ter sido uma armação. O Marketeiro do Lula, segundo o Elio Gaspari, aprendeu a gostar do Romanée-Conti com o Maluf. De repente dá uma garrafa para o Lula festejar. O Globo dá um destaque danado a isso no dia seguinte ao debate. O Elio Gaspari faz uma coluna sobre o assunto. Quem me diz que o Serra não vai pegar na pele do Lula agora com isso?

Sempre gostei de teorias conspiratórias.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

kof kof

Um acesso de tosse está me atacando aqui. Por isso vou encerrar o expediente por aqui mais cedo, mesmo tendo começado mais tarde.
Mas como aqui sou patrão e empregado, chefe e subordinado, posso fazer meu próprio horário.
Mas antes de fechar as portas por hoje, vou escrever o Drummond de hoje.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Mitos e lendas antigas e desejos novos

Ontem, antes de dormir, fiquei lembrando de quando eu era criança e lia um livro de mitologia que meu pai tinha. Gostava de ler sobre os deuses e herois da Grécia Antiga.

Gostava muito da história da Guerra de Tróia, que começa com o sequestro de Helena e termina com o famoso Cavalo de Troia, e da Odisséia de Ulisses após a Guerra ter terminado.

E deitado pensando sobre mitologia, me veio na cabeça o desejo de um dia visitar a Grécia. E pensando em visitar a Grécia, acabei dormindo e talvez até tenha sonhado que estava lá, tentando resgatar Helena.

Mas só sonhado, pois entre ter um desejo e o realizar vai uma grande distância.



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

08/10/2002

One Sweet World

O Sobrevivente
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)




Por volta de 1930, ele escreveu este poema. E ali, ele já falava que "Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.". Já naquela época, existiam "máquinas terrivelmente complicadas", e de alguma forma já existia o sexo virtual ("Amor se faz pelo sem-fio")

Já se passaram setenta e dois anos. Mudou alguma coisa? Mudar, mudou sim. Mas não para melhor. Tudo por causa de uma coisa que ele mesmo falou: "Os Homens não melhoram". E apesar disso, o mundo ainda é azul. Por enquanto.

Mas mudando de assunto um pouco, olhando a frase final do poema (Desconfio que escrevi um poema), dá para imaginar que no dia que escreveu isso, ele estava meio sem inspiração. Um pouco como cada um de nós quando abre o w.Bloggar ou a página do blogger pensando em escrever um post e as ideias não descem (ou sobem).

Mas existe uma grande diferença: Daqui a setenta e dois anos, ninguém vai estar pegando um post nosso para colocar em uma outra página para falar alguma coisa sobre ele. Primeiro tem que existir alguém daqui a setenta e dois anos.

ps.:

Eu sei, eu sei..
Quando ele escreveu "Desconfio que escrevi um poema", claro que ele estava querendo mostrar a contradição com o ínicio do poema, onde fala impossibilidade de se escrever um poema. Mas eu quis fazer um exercício de imaginar ele sentado numa mesa com uma folha de papel em branco na frente e com uma caneta na mão, pensando em algo para escrever.

ps.:(2)

Não sei onde eu estava com a cabeça quando fiz esta conta: 2002 - 1930 = 71.
Já foi devidamente corrigido.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Um momento google interessante.

Agora a pouco uma pessoa procurando por "traduções de musicas de philip bailey" caiu aqui.
Sete minutos depois uma outra pesquisa foi feita, desta vez procurando por "tradução da música woman de philip bailey".

Coincidência?

Não. As duas pesquisas vieram do mesmo endereço ip. Logo foram feitas pela mesma pessoa. E repetindo no google as pesquisas, vi que só a minha página aparece nas duas pesquisas. A pessoa, talvez desatentamente nem percebeu que o destino era o mesmo.

E deve ter ficado perdidona, pois as duas pesquisas levam para a página do arquivo do mes de agosto. Foi lá que eu falei do Philip Bailey, vocalista do Earth, Wind and Fire. E não coloquei nenhuma música traduzida dele. Eu só faço traduções capengas das músicas deles.

Como será a reação de uma pessoa, que não conhecendo blogs, cai num deles numa pesquisa?
Deve ficar danada da vida. Tem que "catar" as palavras chave num monte de posts que não tem nada relacionado com o que esta procurando, para no final não encontrar o que quer. Deve sair reclamando de montão.

Bem. Estou sem tempo para fazer uma tradução de uma música do cara. Portanto, meu infeliz pesquisador, não poderei te ajudar.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Fragmentos de um email recebido

"De: <Omitido pois não pedi autorização para colocar aqui>
Para: Cassio
Assunto: "Pensando Alto"

Entrei por acaso e comecei a ler...Li tudo!
E depois comecei a pensar....
Por que eu li isso...
...
Mas a pergunta é a seguinte, por que a "vida, pensamentos, angustias de uma pessoa desconhecida, pode ser tão interessante para o ser humano?
Ë estranho não é?
...
Na internet tem dessas coisa....
A gente esbarra em pessoas que nunca vai conhecer, e elas se torman interessantes."


Sim. Tenho que concordar. É muito estranho.
Uma pessoa chega meio que por acidente, talvez por ter visto um link em outra página ou blog, dá uma lida, gosta de algumas coisas, de outras não. Não sabemos se vai voltar, ou não. E pronto. Lá vai ela para outra página. E começa tudo de novo.

Para minha sorte, algumas das pessoas que fizeram isso ficaram. Algumas eu conheci pessoalmente e outras ainda não.
E outras, nunca vou conhecer, pois algumas pessoas que vem aqui, não se manifestam (e nem são obrigadas a isso pois eu mesmo, na maioria das vezes, vou em blogs e nem apareço e o dono(a) nem sabe que por lá eu estive) e nunca vou saber quem são.

Mas porque este post? Sei lá.
Quando eu li este email, que de inicio me pareceu um spam, comecei a pensar..., e acabei "falando" alto.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Ainda sobre as campanhas.

No rastro do post abaixo, fiquei pensando um pouco sobre esta minha caracteristica de não participar de campanhas. E vi que não é bem como eu falei outro dia: "Não participo de campanhas".

Eu só sou muito seletivo das campanhas e movimentos que eu acho que devo participar.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Arrumando gavetas

Hoje foi dia de trocar os móveis do aquário.
E aproveitei para dar uma geral na papelada. Enchi duas latas de lixo. E então eu vi, novamente, o quanto sou desorganizado.

Nem é de propósito. É só mais uma caracteristica minha de ir guardando coisas e papeis, pensando que possam ser necessários mais tarde. E nunca são.
Também a correria do dia a dia não deixa muito tempo para parar e rever as gavetas. Toda vez que eu faço uma arrumação como esta, eu falo "de agora em diante vai ser diferente" e nunca é. Passa um, dois dias e já tem um monte de anotações e papeis se espalhando.

Mas também, como se gera papel e lixo hoje em dia!
Parece que esta é a finalidade do homem sobre a Terra. Ficar entulhando este "little blue planet" com lixo.

E por mais uma daquelas coincidências, começou a tocar aqui no player "One Sweet World". Uma das músicas ecológicas deles. Ecologia é uma das preocupações deles. Eles inclusive apoiam uma campanha sobre o aquecimento global: One Sweet Whirled

E isso me faz lembrar que eu outro dia mesmo falei que não participo de campanhas. Mas quando eu falei aquilo, eu esqueci de alguns tipos de campanha que são praticamente obrigatórias de se apoiar. E campanhas ecológicas são uma destas que eu abro exceção.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Eu estava prevendo isso

Quando eu vi, eu sabia que não ia dar certo. Está certo que não foi o enorme problema que eu pensei que ia ser, mas não foi muito bom de qualquer forma.

(
Sim, este é mais um daqueles meus posts enigmáticos.
É como uma referência para mim mesmo. Para quando, daqui a um ano, eu ler o que escrevi agora, lembrar.
Mas se olharmos bem, até que eu não tenho feito muito isso. Portanto, nada de irritações.
)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

07/10/2002

Ressaca Carioca

Consolo na Praia
Carlos Drummond de Andrade
A Rosa do Povo - 1945

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.




Hoje eu quis colocar este poema dele, que foi publicado num livro de 1945, chamado A Rosa do Povo.
Mas esta é a verdadeira Rosa do povo. Uma Rosa com espinhos mas com um odor adorável. Espinhos que espetam um pouco ao serem lidos, como no verso "Perdeste o melhor amigo", mas para logo depois dar o conforto de "Mas tens um cão.".

Quis colocar este poema, principalmente, por causa da primeira estrofe: "Vamos, não chores... A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu." Acho que alguns de nós estão (estamos) precisando de uma lembrança desta.

E afinal (e no final), fica sempre a pergunta: E o Humour?

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

A idade é fogo...

Não passou um mês desde que eu peguei uma laringite (pelo que vi no histórico foi no dia 21/09 - novamente o papel de diário do Blog se sobrepondo aos outros) e agora já estou novamente com a garganta irritada. Tossindo muito e se a voz não está rouca, está em vias de ficar.

Eu olha que tomei os remédios todos certinho. Eram um antibiótico e um antialérgico.
Ou não resolveram muito, ou agora é alguma coisa diferente.

Ou então é a idade mesmo.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

E já faz um ano...

Há exatamente um ano, eu coloquei no antigo blog, o meu primeiro post celebrando o aniversário de uma pessoa muito querida:

Renée

E hoje, como é óbvio, ela está novamente fazendo aniversário.

Ultimamente tenho tido pouco contato com ela, mas sempre que posso vou ao Curly, saber noticias desta querida amiga. E este pouco contato não diminuiu em nada o carinho que eu sinto por ela.

Grande beijo, Renée. Desejo só coisas boas para você.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Post intencionalmente deixado meio em branco.

.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Vestuário

Dennis, onde é que você compra as suas roupas?? Não é para mim não, é que alguém esta procurando por isso: Roupa igual a de Denis o Pimentinha (acho que ele esqueceu de colocar um "n" no nome.)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Não quero dizer nada não.

Mas tem horas que eu acho que os cariocas são muito burros.
Se não todos, pelo menos pouco mais de 51% deles.

[Atualizando]

Fui injusto. Não são "os cariocas", como falei. E sim "Os Fluminenses". Afinal Cariocas são os da cidade, e a burrice foi geral no estado.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

06/10/2002

Final de Domingo

Poema que aconteceu
Carlos Drummond de Andrade
Alguma Poesia - 1930


Nenhum desejo neste Domingo
Nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possivel que se soubesse
nem ligasse.




Eu vou colocar este poema dele aqui hoje. Primeiro porque é Domingo. Segundo porque hoje os homens (e mulheres é claro) de certa forma pararam para acompanhar os resultados das eleições. E para muitos que vão acompanhar a apuração, o domingo não terá fim..

Mas uma coisa eu não concordo com o poema do Carlos não.
É com o verso "Nenhum desejo neste Domingo".
Primeiro porque sempre tenho os meus desejos de domingo. Não são muitos, mas possuo alguns.

E também, porque neste domingo em particular, nesta hora que estou colocando este poema, ainda se juntou um desejo em especial: Que possamos votar num segundo turno para governador, aqui no Rio.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Mais sobre as eleições

Cassildex, até compreendo a situação preocupante do Rio eleger uma governadora-Garotinho, mas falo mesmo do meu desejo que termine a eleição para presidente, logo no 1º turno.
Sério! Em alguns lugares, como aqui em Pernambuco, a situação para governador está até resolvida, Jarbas já está eleito mesmo. Até me assustei com as pesquisas, que declaravam eleito com 72% (!!!) das intenções de votos. Pra você ver, ele é tão abusado que nem foi no debate de quarta-feira. =p
Também acho que não vale a pena anular voto, nem deixar em branco. Isso não auxilia em nada, já que de qualquer maneira alguém tem que ser eleito.
Mas o pior mesmo foi ver hoje as ruas imundas, repletas de panfletos, gente enchendo o saquinho quase enfiando santinhos pela minha goela, achando que pode mudar minha opinião de última hora. Me limitei a responder que não votaria esse ano.
Agora vamos ver no que vai dar!

ps: pesquisa de boca-de-urna - Jarbas com 66%!!!

Ancorado por Dorothea Marx | Link

(0) comments

 

Temporal

"Oh, darling, lay back.
In the crowd, not comfortable, stand and look above.
The clouds they opened up and had to let it down.
And while I played, there came a hand from skywards raining,
all we could say was let it rain until it washed us all away."


(traduzi livremente para:
Oh querida deite.
Na multidão, desconfortável, fique e olhe acima.
As nuvens se abriram e tiveram que deixar cair.
e enquanto eu tocava, Uma mão veio da direção dos céus chuvosos
E tudo que nos foi possivel dizer foi: deixe chover até que ela nos leve a todos.)

Para quem quiser saber do que se trata isso, o restante desta história real, eu conto aqui

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Eleições

Concordo com você Pandora. Menos em um ponto. Que não acabe logo no primeiro turno aqui no Rio. Ou se for para acabar, que todo mundo tenha decidido reverter seus votos. E isso vale para um dos senadores também.

Da minha parte, eu fui lá e votei. Não anulei nenhum dos meus votos.

Agora vou aproveitar mais um pouco esta tarde quente de montão que está fazendo aqui no Rio (enquando espero a ligação da minha mulher me chamando para ir buscá-la) não fazendo absolutamente nada!!!!

Ou melhor, agora particularmente, escutando :

"Descobridor dos setes mares"
Tim Maia

"Uma luz azul me guia,
Com a firmeza e os lampejos do farol.
E os recifes lá de cima
Me avisam dos perigos de chegar

Angra dos Reis e Ipanema
Iracema e Itamaraca
Porto Seguro, San Vicente
Braços abertos sempre a esperar

Pois bem, cheguei
Quero ficar bem a vontade
na verdade eu sou assim
Descobridor dos setes mares....
Navegar eu quero!!!!"

E por aí vai...
E como diz o Pedro Mariano na versão que eu estou escutando, "Valeu Tim!!!"



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Eleições


Tomara que acabe tudo logo, de uma vez. Não agüento mais ouvir jingles, poluição visual de propagandas pelas ruas, spams eleitorais, agressões gratuitas de candidatos e mentiras escabrosas.
Eu queria muito que terminasse logo no 1º turno.
As conversas de bar estão ficando muito chatas. Só se fala em Lula! Não que eu seja contra o indivíduo, mas é que de tanto ouvir estou pedindo arrêgo.
Isso é só para descontrair. Eu não vivo em barzinho.
E eu não vou votar esse ano. Mas em compensação vou ter que catar uma zona eleitoral (espero que amanhã não façam jus ao termo...) para justificar o voto.
É, né...

Ancorado por Dorothea Marx | Link

(0) comments

 

05/10/2002

Estrela? Estrela!

Castidade
Carlos Drummond de Andrade
Brejo das Almas - 1934


O perdido caminho, a perdida estrela
que ficou lá longe, que ficou no alto,
surgiu novamente, brilhou novamente
como o caminho único, a solitária estrela.

Não me arrependo do pecado triste
que sujou minha carne, suja toda carne.
O caminho é tão claro, a estrela tão larga,
Os dois brilham tanto que me apago neles.

Mas certamente pecarei de novo
(a estrela cala-se, o caminho perde-se),
pecarei com humildade, serei vil e pobre,
terei pena de mim e me perdoarei.

De novo a estrela brilhará, mostrando
o perdido caminho da perdida inocência.
E eu irei pequenino, irei luminoso
conversando anjos que ninguém conversa




Bem. Em épocas como a nossa, poemas como este podem ser lidos por diversos ângulos. (que besteira que eu falei. Qualquer poema pode ser lido por diversos lados, em qualquer época.)

Eu, quando vi este poema ontem tive um rápido arrepio. Me lembrei de duas pessoas, e dei para elas este poema. Fiz isso motivado pelo impacto da coincidencia de ver as estrelas nele colocadas pouco depois de ter acabado de ver as estrelas por elas faladas em posts.

E depois eu fiquei lendo ele. E vi que ali tinha um monte de coisas sendo ditas. E até agora, ainda não terminei de ler.

Ele fala por exemplo em caminho.
Eu finalmente me decidi por um caminho.
Não sei se é o melhor. Mas é o caminho que eu quero tomar, e sei que junto comigo estão muitas e muitas pessoas.
Portanto não vou sozinho. E com certeza, estou em muito boa companhia.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

E se ele fosse vivo? Em quem iria votar?

Depois do quase atropelamento da <censurado>, digo, da Garota, eu fui no tal shopping. Queria passar na livraria e comprar um livro do Drummond. Tem vários que eu não tenho. Mas lá não tinha nenhum. Semana que vem eu vou na FNAC. Lá eu sei que tem.

Mas surgiu uma pequena polêmica aqui em casa agora a noite. Eu levantei a questão: "Em quem o Drummond votaria se fosse vivo?".

Minha mulher não tem dúvida em quem:

"- No Lula, afinal Drummond era comunista. -Disse ela
- Ahhh era? Mas comunista o Roberto Freira também era e está apoiando o Ciro.. - Retruquei eu.
- É, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E além disso o Drummond era como eu. Agnóstico
- Ahhh meu Deus do céu!! e o que isso tem haver com política?
- Nada, mas eu quis falar isso."

Já já eu coloco o poema de hoje. Para quem não acompanhou desde o início do mês, eu estou colocando um poema do Drummond a cada dia durante o mes de Outubro. Em homenagem ao centenário do seu nascimento.





Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Levei um susto hoje.

Quase atropelei uma garota.
Foi em frente a um shopping aqui perto de casa. Eu vinha passando pela pista mais à esquerda (a avenida tem três pistas em cada sentido), e o sinal estava fechado mas ainda faltava uns 50 metros para eu chegar nele. Não vinha correndo, pois ia parar logo adiante, mas não vinha devagarzinho não. Estava freiando. Do meu lado direito, estava parado um ônibus. Quando eu vi, saiu da frente deste ônibus uma garota que nem se deu ao trabalho de olhar para ver se vinha um carro ou não.

E vinha!! Eu.

Sorte que os reflexos responderam na hora. E o freio respondeu bem também e nada de grave aconteceu, além do meu susto, do dela. E do xingamento de ambas as partes. Não fui educado. Mas ela começou. Veio me xingando e falando que o sinal estava vermelho. Sim estava vermelho, mas ela estava fora da faixa, que estava lá nos tais 50 metros a frente. Só porque o ônibus estava parado?? Custava ela dar uma paradinha para ver se vinha um carro ou não? E ainda acha que estava com a razão. Eu só não fui mais mal educado porque a minha mulher me segurou.

Mas a minha raiva estava bem grande. E seu eu não conseguisse freiar? Tava enrolado até agora. Correndo o risco de ser até linchado, pois com os ânimos exaltados que os cariocas estão, qualquer coisa pode ser motivo.

Pedestre tinha que ser multado também.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Plastificação significativa

Hoje eu levei o título de eleitor do meu filho para plastificar.
Ele tem 16 anos e vai votar pela primeira vez. Está sentado ali no sofá segurando e olhando para ele. Ele está muito entusiasmado com a eleição. Eu também costumava ficar.

Mas o significativo aí do título, para mim, é pelo fato de ver que ele cresceu mesmo. Outro dia mesmo era um molequinho que cabia no meu antebraço. Agora um garotão que fica me pressionando para acompanhá-lo no voto. Bem como a minha mulher.

- Olha!!! ele está com 50%. Vamos lá, de repente é o seu que vai decidir tudo!!
- Já falei que eu gosto de decidir por mim mesmo.
- Se não votar nele, pelo menos então anula. Assim estará ajudando a ele.
- E se eu votar nulo para governador?
- Ajuda a Rosinha.
- Xi! Rosinha não! Sendo assim para governador eu não vou anular não
- E para presidente?
- Ainda tenho tempo para decidir.

Pode até ser que não votemos igual, mas vamos os três juntos. Ele vai votar na mesma escola que eu e ela votamos desde que viemos morar aqui. Mas já falei para ele não fazer como ele fez uma vez que foi acompanhando a gente. Ele, todo pequeninho com três anos, chegou no meio da seção eleitoral, e começou a cantar:

"LULA LÁ
brilha uma estrela!"


O pessoal da mesa ficou rindo é claro. O que podiam fazer? Prendê-lo? Na época não, mas agora é melhor não arriscar.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

04/10/2002

Pai, O que é volapuque?

Poema da necessidade
CDA - Sentimento do Mundo - 1940

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores,

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.




Quando eu li o poema acima para o meu filho menor ontem a noite, ele me fez a pergunta que eu coloquei lá no título.

- Pai, o que é volapuque?
- E eu sei lá! É uma coisa que o Drummond colocou neste poema


Nós começamos a falar de outras coisas, como a Caixa de CD's com toda a coleção da Superinteressante que eu dei para ele, e que ele adorou, e acabei esquecendo do tal volapuque. Agora a pouco lembrei dela novamente. E nada melhor para descobrir o que significa uma coisa, do que ir ajoelhar lá no altar de São Google.

Descobri um artigo do Otto Lara Resende, onde ele explica o significado :

Quase simultaneamente abriu-se em Brasília um congresso internacional de esperanto, que se pretende uma língua capaz de levar-nos todos de volta à véspera da Torre de Babel. O seu engenhoso inventor, o médico polonês Zamenhof, teve mais sorte do que outros colegas de utopia idiomática. O volapuque, por exemplo, que é outra tentativa de comunicação universal, também do século XIX, mal passou de seu criador, o padre alemão Martin Schleyer. No Brasil, já teríamos perdido a memória da simples existência do volapuque, se não fosse um verso de Carlos Drummond de Andrade.

Aprendido então o que é o tal Volapuque, vou para casa, pois estou com fome e quero ver se pego ele ainda acordado para explicar. Se é que ele ainda lembra da pergunta que me fez.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Tentei vir aqui antes, mas não foi possível.



Para quem só voltar aqui lá pela segunda feira, ou amanhã ou qualquer outro dia:
Boa noite; Bom final de semana; Boas eleições

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

03/10/2002

Reunião

Mas a melhor coisa de terem desencavado aquela montoeira de livros velhos, foi que a minha mulher achou no meio deles, e me "deu de presente", o livro "Reunião - 10 livros de poesia" do Carlos Drummond de Andrade, que reúne 10 dos livros de poesia dele.

Eu julgava perdido este livro. Pensava que tinha emprestado para alguém e não lembrava para quem. Procurei por ele nas livrarias há tempos atrás e não encontrei. Acho que saiu de catálogo. Uma edição comemorativa do centenário, reunindo toda a poesia foi lançada mas achei muito caro. Agora nem esta eu encontro encontro mais.

Pelo menos eu reencontrei o meu "Reunião". Reencontrei, não! Ganhei de presente :)
E já que voltei para casa, hoje fica este:

Sweet Home
(CDA - Alguma poesia - 1930)

Quebra-luz, aconchego.
Teu braço morno me envolvendo.
A fumaça de meu cachimbo subindo.

Como estou bem nesta poltrona de humorista inglês.

O jornal conta histórias, mentiras...

Ora afinal a vida é um bruto romance
e nós vivemos folhetins sem o saber.

Mas surge o imenso chá com torradas,
chá de minha burguesia contente.
Ó gozo de minha poltrona!
Ó doçura de folhetim!
Ó bocejo de felicidade!



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Livros velhos

Cheguei em casa no final da tarde e encontrei um monte de livros velhos sobre a mesa.
Não tinha ninguém em casa, já que minha mulher tinha ido buscar meu filho no colégio, e não entendi nada do que era aquilo. Um monte de livros de eletrotécnica da minha época de escola técnica e livros de calculo ainda da época que eu começei a fazer engenharia. E olha que isso foi na época que o meu filho mais velho ainda nem andava direito. Eu parei a engenharia pelo meio, pois não estava mais aguentando pagar, e depois de um tempo sem estudar, passei para estatística na UERJ.

Nem lembrava mais deles. fiquei folheando os livros de máquinas elétricas, transformadores, um monte de coisas que um dia eu conhecia muito bem e hoje parecem latim para mim. Já os de cálculo por serem mais recentes, ainda lembro boa parte dos assuntos como integrais e diferenciais, determinantes e geometria analítica.

Quando o pessoal chegou em casa, eu confirmei a minha suspeita. Aqueles livros todos eram coisa do meu filho mais velho. Ele quer ficar com os de matemática para ele, e levar os livros velhos de eletrotécnica num "sebo" para trocar por outros. Ele agora virou rato de "sebo". Esta comprando todos os livros que encontra do Érico Veríssimo.

E eu noto que mais uma vez ele segue os meus passos.

Eu era um rato de "sebos" também. Adorava ir no centro da Rio e passar pelos sebos procurando livros de ficção científica. Depois que comecei a trabalhar na empresa atual, há 20 anos, ficou mais complicado, pois ela é do outro lado da cidade e quase não vou mais ao centro (Além de receber hoje um salário um pouco melhor do que o de estágiário que eu recebia na época, podendo comprar livros novos). Mas ainda sinto vontade de ir aos sebos. Em São Paulo tem um sebo enorme na região atrás da Catedral da Sé. Sempre que vou trabalhar em Sampa, tenho que passar pela frente dele, mas nunca sobra tempo para parar e entrar. Um dia eu faço isso.

Não me lembro de ter falado para ele destas minhas andanças pelos sebos. Ele começou a ir sozinho. Será que isso é genético?

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

I

" i am who i am who i am, but who am i?"

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Para Alê



Alê, era este o olhar que você falou?
Se foi, faz um click na imagem para colocar ela no tamanho total, e pode até colocar como wallpaper.

[E ela viu]

Alê. (11:46 PM) :
brigada!!!!!!!!!!!

:**********

esse olhar tá demias da conta!!!

demorou virar wallpaper hehe
CassioJ (11:46 PM) :
Demorou virar wallpaper?? como assim?
Alê. (11:49 PM) :
demorou pra virar wallpaper = vai virar wallpaper já já :)))
CassioJ (11:50 PM) :
Eita ferro!!! Não entendo nada do que esta juventude fala!!! :)))
Alê. (11:51 PM) :
obrigada pela parte da juventude hehe

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

02/10/2002

Comemoração

No dia 31 de Outubro próximo, será comemorado o centenário de nascimento do Carlos Drummond de Andrade, o meu poeta preferido, como é de conhecimento de todos.

Como eu poderia comemorar?
Se eu fosse poeta, escreveria um poema.
Um músico talentoso, pegaria um poema dele e faria uma música em cima.
Um pintor, talvez fizesse um desenho ou um quadro.

Mas eu sou só um analista de sistemas. Escrever um programa, ou mesmo um sistema, que levasse o nome dele, não seria nem um pouco interessante.

Mas eu tenho um blog. Portanto pensei, "Porque não colocar um poema dele a cada dia do mês de Outubro?" Já que eu tenho mania mesmo de colocar poemas por aqui, é isto que vou fazer. Já coloquei um ontem. Claro que muita gente não gosta de poemas; que vão aparecer poemas que são muito conhecidos e que todo mundo já leu mais de trezentas vezes. Mas vai ser uma forma deu me lembrar dele a cada dia, e reler a sua obra também.

Hoje vou colocar um pequeno, pois já "falei" muito (até um pequeno conto eu me atrevi a escrever, coisa que nunca tinha feito antes.)

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.

João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

[Descobri ele em latim também!]

Bis Gemina Chorea

lohannes ardebat Theresiam quae ardebat Raymundum
qui ardebat Mariam quae ardebat loachim qui ardebat Lilim
quae ardebat neminem.

lohannes ad Status Foederatos fecit iter, Theresia ad claustrum,
Raymundus fatali obiit casu, Maria vitam vixit virgo,
loachim propria se interfecit manu atque Lilim sibi iunxit J. Pinto Fernandes
qui fabellam non ingressus fuerat.

[cometi uma falha]

Não citei a origem do poema em Latim.
É uma tradução de Silva Bélkior, que encontrei nesta página,

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

NÃO ACREDITO!!!

Quando o acidente no banheiro aconteceu, eu estava falando com a Jô e com a Camila no ICQ. Tive que me despedir delas rapidinho para ligar para a portaria, contando o ocorrido.

Muito bem. Acabei de escrever e mandar o post abaixo e abro o icq novamente. O que eu recebo como uma mensagem off-line? Isto aqui:

minina_do_interior (8:44 PM) :
uauahauhauahauauhauahauhauha
eu hein!!!!!
noite começando de forma surreal!

Caramba!! Esta menina adivinha pensamentos!!!

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Começo de noite surreal!

As minhas noites desta semana foram super tranquilas. E esta era para ser também. A última noite de viagem sempre é uma das melhores, tirando o fato de ter que fazer a mala. Mas esta, se começou tranquila, foi interrompida por uma coisa inusitada.

Eu estava tranquilamente baixando uma música, e lendo um jornal, quando escutei um barulho de água. Pensei que era o cara do apartamento do lado que estava tomando banho. "Mas pera aí... Se for o cara do lado tomando banho, ele deve ter arrebentado todo o encanamento. O barulho esta muito alto!" Fui correndo no banheiro ver, e era a caixa de descarga que tinha arrebentado e estava jorrando agua para todo lado. Fiquei um tempinho olhando aquele alagamento todo sem pensar em nada!.

Me trocaram de apartamento. Pena que perdi o "camão". Normalmente me dão um quarto com cama de casal, mas desta vez, como vim com a minha mulher no sábado, me deram um quarto com cama "King Size". Como ela foi embora no Domingo a noite, fiquei com o "camão" só para mim.

Pena também que eu perdi os 70% da música que já tinha baixado. agora tenho que começar do zero.

Agora é torcer para que o resto da noite seja calmo. Até porque, como tive que sair as pressas do quarto, a mala já esta feita novamente :)

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Ela

Estava incomodada com aquele ônibus cheio. E preocupada também com a prova que ia fazer daqui a pouco. Podia ter ido numa linha mais vazia, onde teria sentado, mas ia demorar mais para chegar na faculdade e não podia se atrasar. Agora estava ali, em pé naquele aperto.

Nem rever a matéria, ela podia. Só restava ficar olhando lá para fora. Ao lado do ônibus um carro verde, que ela nem sabia qual era, pois não entendia nada de carros, tinha acabado de parar bruscamente. Era um taxi. O motorista devia ter se distraido e não percebeu que o carro da frente tinha parado por causa do sinal. Este era o penúltimo sinal antes dela descer, mas parecia que não queria abrir nunca. Será que ia dar tempo para não chegar atrasada na prova?

Ela reparou que o passageiro do taxi parecia ter acordado. Ficou olhando para ele. Não era um cara bonitão, mas ela nunca ligou muito para isso. Ele parecia com um cara que ela tinha gostado quando estava no segundo grau, só que aquele cara hoje seria mais novo que o passageiro. Ela viu quando ele comecou a olhar para o ônibus. Olhou para o outro lado. Não queria que ele percebesse que ela o estava olhando.

"Acho que foi tarde demais", ela pensou. Pelo canto do olho ela viu que ele estava olhando direto para ela. "Droga! Não vou olhar de novo. Não vou...". Ela era tímida. Mas no solavanco que o ônibus deu ao começar a andar quando o sinal abriu, ela olhou para ele. E não desviou o olhar novamente.

Realmente ele lembrava muito aquele outro sujeito. Sentiu um pouco de saudades daquele tempo. Nunca tinha conversado direito com ele, mas realmente gostava dele. Depois aquela turma toda se separou e nunca mais voltaram a se encontrar.

O sinal abriu, e o cara do carro sorriu para ela. Ela acabou sorrindo para ele também. Ela viu que o sorriso dele não lembrava muito o do outro não. O sorriso deste era mais calmo. O outro nunca sorria. Só gargalhava quando os caras contavam besteira. E eles faziam isso toda hora.

O ônibus seguiu em frente e o carro virou para a esquerda.

Como nunca mais iam se encontrar, ela guardou na memória aquele sorriso.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Ele

Estava cochilando no banco do carona. Tinha terminado de ler uma revista chata e aquele trânsito lento e monótono, por um caminho já tantas vezes percorrido, não o estimulava a ficar acordado. Mas aquela freada brusca que o motorista do taxi acabara de fazer o despertou. Já estava ali sentado uns bons 45 minutos e sentia as pernas começarem a se incomodar com a posição. Quem foi que falou que estes carros tipo minivan Renault Scénic eram confortáveis? Podem até ser, mas não quando se quer cochilar.

De repente bateu aquela sensação de que estava sendo observado. Mas por ali só estavam motoristas irritados com aquele sinal vermelho que não abria. Não tinha nenhum pedestre passando entre os carros, não tinha ninguém em pé em nenhum ponto de ônibus esperando por um. Aliás tinha um ônibus ao seu lado. Olhou para cima e então percebeu que um rosto se virou para o outro lado quando ele passou os olhos. Um cabelo encaracolado, meio louro, meio castanho claro que aquela luz de final de tarde não deixava perceber direito a cor certa.

E ele ficou olhando. O rosto novamente se voltou para ele. Mas ela, ao perceber que ele olhava, rapidamente desviou o olhar. E ele insistiu em ficar olhando. Mesmo quando o carro e o ônibus começaram a andar lentamente, tão logo lá adiante o sinal abriu. E ela desistiu de virar o rosto. Ficou olhando também. Nenhum dos dois sorriu, apesar dele sentir vontade. Não costumava fazer isso. Não gostava de encarar ninguém, pois também não gostava de ser encarado. Mas não desviou o olhar.

O taxi parou novamente. Não foi desta vez que conseguiram passar pelo sinal verde. Ele viu que ela não era uma moça muito bonita. Era normal. Daquelas que talvez passassem despercebidas nas salas de aula, ou nos barzinhos dos finais de semana. Mas ele acabou achando alguns traços bonitos por trás daquela normalidade toda.

Novamente o carro começou a andar e desta vez ele sorriu. Ela também. O carro virou a esquerda e o ônibus seguiu em frente.

Como nunca mais iam se encontrar, ele resolveu voltar a cochilar.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Poeta

"Aos olhos dos outros um homem é um poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre."
- W. H. Auden

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Mas, "e como vai você?"

Eu? Vou bem obrigado. E não é uma "polida mentira" como está no texto do Roberto Pompeu de Toledo que eu falei aí embaixo. Pelo menos não neste dia que acabou, que foi realmente bom.

Mas foi bom por qual motivo? Por nenhum em especial. Só por eu estar me sentindo bem. Por ter feito coisas que eu gosto de fazer, como por exemplo:

- Ter tido uma noite de poucas horas de sono, mas com uma coisa que eu notei que há muito tempo eu não estava tendo: Sonhos.

- Por não ter me sentido sonolento durante o dia, mesmo com uma noite de poucas horas de sono. Isso foi realmente estranho. Acho que talvez por força da reunião, que foi bem dura, mas produtiva.

- Ter ligado para casa e saber que tudo correu bem hoje no Rio, sem que o pessoal lá de casa tenha ficado com medo de sair na rua.

- Ter iniciado a noite escutando um fantástico show, que foi executado em 10 de junho de 1997 e que consegui hoje. Com ótimos solos e com versões de quase todas as músicas que eu adoro.

- Ter até cantado (baixinho, para não incomodar os outros hóspedes do andar)

- Ter tomado uma ótima sopa de tomate no jantar.

- Ter lido coisas interessantes.

- Ter conversado rapidinho com a SaM, uma menina que eu gosto muito, mas com quem converso tão pouco.

- Ter tomado a decisão de não querer saber hoje a quantas anda o Dolar, ou as pesquisas eleitorais.

Bem, hoje (que agora já é ontem) foi bom. Já amanhã (que agora já é hoje) eu não sei. Mas não vou me preocupar com isso agora.

[Este post não foi escrito a esta hora]

É que eu já estava dormindo, quando o telefone tocou. Como eu tinha deixado o micro conectado baixando umas músicas vim dar como estava o andamento, e lembrei de uma coisa, e então fiz uma arrumação das coisas todas. Agora eu volto pra cama. E ele continua baixando o restante.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

E somos um país do kct também!

Pra piorar ainda mais, inventaram o ICQ, essa praga da internet onde elas ficam horas e horas escrevendo abobrinhas umas pras outras, em código secreto. Tipo assim "kct! vc tmb nunk tah trank, kra. Eh d+, sl. T+ Bjoks. Jubys". Em português: "Cacete! Você também nunca está tranqüila, cara. É demais, sei lá. Até mais, beijocas. Jubys".

Vale a pena ver este outro texto delicioso lá no Dizem.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

O país do "tudo bem"

Este é o título do ensaio do Roberto Pompeu de Toledo na revista Veja desta semana, que eu li hoje de manhã e gostei muito.
Ele começa falando do nosso costume de comprimentar as pessoas perguntando "- Como vai você?". E comenta o como responder:

"Uma opção será trocar o exame item por item por uma fórmula curta e grossa. O preocupado com a justiça social responderá: "Como posso ir bem, num mundo de miséria e iniqüidades?". O angustiado com a efêmera condição humana repicará: "Como posso ir bem, se tenho diante de mim o imperativo inelutável da finitude?". Felizmente o que se requer, diante do "como vai?", não é nada disso, mas uma polida mentira: "Vou bem, obrigado"

Mas a parte que eu gostei mais, foi quando ele cita o livro "A Euforia Perpétua, do francês Pascal Bruckner (Difel)":

"O livro é sobre esta praga do nosso tempo que é impor a cada um, como máximo padrão de realização, o dever de ser feliz. "Sejam felizes", desejam os pais aos filhos. Mas... Como ser feliz? Como saber o que é ser feliz? Como saber se somos felizes? Qual o critério? A obsessão por esse impossível graal, essa miragem chamada felicidade, impõe um peso difícil de suportar."

E termina falando sobre a modificação que fizemos, aqui no Brasil, na clássica pergunta:

"Já não se pergunta como vai, e sim, numa antecipação da resposta positiva: "Tudo bem?". Estreita-se a opção do interlocutor. Não se deixa a questão em aberto. Joga-se desde logo diante dele, insidiosa e irrecusável, ainda que na forma interrogativa, a alternativa correta, que não pode ser outra senão a da felicidade, do prazer e do bem-estar."

Quem tem a Veja, é só ir na última página; Quem é assinante do Uol, pode ler no próprio site da Veja. E quem não tem uma coisa nem outra e quiser ver o texto, eu tenho um arquivo com o conteúdo.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

01/10/2002

Este foi o Primeiro dele

Poema de sete faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundom,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.



Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Jantando

Sopa de tomate é muito bom!!!

[E lembrando]



Já foi até "Pop art"

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Por isso eu carrego o meu porto comigo

"...De repente se sentiu inseguro, deslocado, miserável. Caminhou ávidamente em busca de um cais, de um porto onde encontrar, no cheiro do mar e no marulho da água sob os cascos de ferro, pelo menos o consolo de algo familiar; levou algum tempo para se dar conta, quando parou indeciso na praça de La Cibeles sem saber que direção tomar, que essa cidade grande e barulhenta não tinha porto. A descoberta chegou com a força de uma revelação desagradável e o fez fraquejar, quase cambalear, a tal ponto que foi sentar-se num banco, defronte da grade de um jardim de onde dois militares com cordões no uniforme, boinas vermelhas e fuzis em bandoleira o observavam com desconfiança."

(A Carta Esférica, Arturo Pérez-Reverte, Editora Companhia das Letras, página 127)

Peguei este brinde lá do TC

Aproveitando a deixa do TC, fica aqui o pedido de quando encontrarem coisas legais com relação a portos e cais (qual é o plural de cais?) me passem por e-mail ou nos comentários ok?

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

 

Com esta eu vou dormir...

Não dá para levar a sério uma coisa desta. Aposto que foi o mesmo cara que procurou por isso, afinal a faixa etária é quase a mesma.

E outra coisa: se a vida fosse como um blog, ia ser muito complicado. Uma hora voce não ia conseguir postar; na outra não ia carregar a página; ou ia ficar tudo lento, ou não ia poder comentar. E em alguns momentos você ia ficar sem imaginação, e em outros ia falar um monte de abobrinhas. De vez em quando ia ter lampejos de lucidez e ia falar alguma coisa com coisa. Em outros momentos ia ser cheia de entrelinhas. E em outros ia ser muito divertida.

Sabe, acho que a vida já é meio assim mesmo. Portanto, não precisa ficar procurando por isso nos sites de busca não.

Ancorado por Cassio Silva | Link

(0) comments

| Trecos

Este site é gerenciado por blogger